O vice-primeiro-ministro russo, Yuri Trutnev, é esperado na segunda-feira, em Luanda, para reuniões com o Governo e o Presidente da República de Angola, João Lourenço, encontros que visam o reforço da cooperação bilateral, informou a diplomacia angolana.

Yuri Trutnev, que é também representante plenipotenciário do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, para o Extremo Oriente, lidera uma delegação de “39 altos funcionários de distintos departamentos ministeriais do Governo” russo, na visita de 24 horas a Angola, indicou o Ministério das Relações Exteriores angolano.

Além da reunião com o chefe de Estado, João Lourenço, na manhã de segunda-feira, no Palácio Presidencial, em Luanda, para passar “em revista questões sobre a cooperação bilateral”, a agenda do vice-primeiro-ministro russo prevê mais sete encontros com entidades do aparelho governativo angolano, entre os sectores dos Recursos Minerais e Petróleo, Agricultura e Floresta, Defesa, Energia e Águas.

Estão também previstas reuniões com os novos responsáveis pelas empresas diamantíferas estatais angolanas (Endiama e Sodiam), uma das áreas de maior cooperação entre os dois países e que recentemente sofreram uma alteração a nível dos órgão de administração.

A diplomacia angolana recorda que os dois países “mantêm fortes laços de amizade e cooperação em vários domínios, nomeadamente no domínio da Defesa, das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, “do qual se destaca o projecto ANGOSAT”.

Esta visita acontece precisamente a poucos dias do lançamento, previsto para 7 de Dezembro, no Cazaquistão, do chamado primeiro satélite angolano, o AngoSat-1, desenvolvido por um consórcio russo.

“Faremos de facto o lançamento do AngoSat no mês de Dezembro. Tudo estamos a fazer para que isto aconteça com as datas indicativas. Vamos fazer o lançamento do Cazaquistão, onde se encontra a base de lançamento da empresa que tem estado a trabalhar connosco”, anunciou anteriormente o ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação de Angola, José Carvalho da Rocha.

De acordo com as autoridades espaciais russas, o lançamento do AngoSat-1 está previsto para 7 de Dezembro, no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

De acordo com a mesma informação, o lançamento do satélite, construído por um consórcio estatal russo, será feito com recurso ao foguete ucraniano Zenit-3SLB, envolvendo ainda a Roscosmos, empresa estatal espacial da Rússia.

O lançamento tem sido sucessivamente adiado e chegou a estar previsto para Setembro último, sendo este um projecto que estava avaliado, em 2013, em 37 mil milhões de kwanzas (cerca de 190 milhões de euros, à taxa de câmbio actual).

A construção do satélite, que vai reforçar as comunicações nacionais e internacionais, arrancou a 19 de Novembro de 2013, cerca de 12 anos depois de iniciado o processo. Essa construção deveria prolongar-se por 36 meses, calendário que o Governo angolano garantiu anteriormente estar a ser cumprido integralmente.

O AngoSat-1 vai disponibilizar serviços de telecomunicações, televisão, internet e governo electrónico, devendo permanecer em órbita “na melhor das hipóteses” durante 18 anos.

O primeiro satélite angolano deverá cobrir todo o continente africano e uma parte da Europa, tendo o principal centro de controlo em Korolev, na Rússia, e outro em Luanda.

Recorde-se que foi no Conselho de Ministros de 25 de Junho de 2008 que foi aprovado o projecto de criação do satélite AngoSat.

Em comunicado, o Conselho de Ministros referiu nesse dia que foram aprovadas as minutas do contrato a celebrar entre o Ministério dos Correios e Telecomunicações de Angola e o consórcio russo liderado pela empresa “Robonex-sport”, tendo em vista a construção, colocação em órbita e operação do satélite angolano.

O projecto permitirá, já se dizia na altura, a disponibilização de serviços e o acesso internacional, de suporte e expansão da Internet de banda larga, de transmissão para os operadores de telecomunicações e também a disponibilização para suportar serviços de rede de televisão e de radiodifusão.

Por mera curiosidade refira-se que no mesmo Conselho de Ministros foi feito um reajustamento nos salários da função pública, sendo que – segundo o Governo – a alteração estava em consonância com o Programa Geral do Governo que previa como medida de política salarial o reajustamento dos vencimentos dos funcionários públicos, tendo em vista a reposição do poder de compra dos salários devido à inflação esperada de 10 por cento.

Em Dezembro de 2012, Aristides Safeca anunciava o lançamento para 2015, dizendo que o projecto seria financiado por um sindicato de bancos russos liderado pelo Ruseximbank e VTB.

Na altura foi dito que a construção estava a cargo de um consórcio russo liderado pela RSC, multinacional apresentada como tendo “larga experiência na produção de satélites e foguetões propulsores em programas internacionais como o Soyuz-Apollo”.

“Este Satélite é o primeiro e marca a entrada de Angola numa nova era das telecomunicações, o que pressupõe a condução de um programa espacial que inclua, futuramente, o lançamento de satélites subsequentes,” referiu em 2012 Aristides Safeca, coordenador do projecto.

“O projecto do AngoSat vai bem. Está dentro dos prazos estabelecidos e em Setembro de 2016 teremos o satélite pronto e princípios de 2017, o mais tardar no primeiro trimestre, teremos o satélite no ar”, afirmou Aristides Safeca, referindo que o Executivo estava, no domínio dos telecomunicações, a efectuar a procura e buscas de soluções adequadas para as telecomunicações, não só no meio urbano, mas também no meio rural.

Folha 8 com Lusa

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