Vitorino Nhany, secretário da Presidência da UNITA para os Assuntos Eleitorais, não tem dúvidas de que a transferência de eleitores configura reedição dos problemas de 2012. Isso mesmo disse hoje em conferência de Imprensa. Transferências para dezenas de quilómetros das áreas de residência. Vale tudo, como esperado.

Falando de transferência de eleitores, o político apresenta exemplos da província de Benguela em que eleitores da sede de Caimbambo que foram transferidos para a comuna de Kanhamela, a 60 quilómetros, os da Comuna de Kanhamela foram transferidos para a aldeia Luwe, a 60 quilómetros.

Vitorino Nhany aponta mesmo nomes de eleitores que foram transferidos para zonas muito distante das suas áreas de residência.

São os casos dos cidadãos Manuel Nvovi, residente no Bairro Operário onde votou em 2008 e 2012 e que foi transferido para Noqui Província do Zaire, Simão António, cartão nº 9542 e grupo 66336 de Cacuaco para Escola 8 de Janeiro “João Firmino Chinanga” Tombwa – Namibe – mesa nº 4, Armando Pongolola Chipenda, residente em Viana, cartão nº 11947 e grupo 1160, transferido para Buçaco-Ganda, Província de Benguela, mesa nº 1, Frederico Epalanga Kassoma, residente na Vila Nova (Boa Fé) em Viana, eleitor registado sob o nº 27 988 grupo 313000, actualizou o registo para votar na sua área mas foi transferido para Benguela, Afonso Damião Dunduma, residente no Bairro Boa Fé – Viana, cartão nº 190070 e grupo 60090, foi transferido para Menongue, Escola Primária da Paz nº 135, Av 10516, Manuel Luís da Silva actualizou o seu registo para votar no Colégio Magnólia-Zango II, o seu nome não consta de nenhuma lista.

Vitorino Nhany avança que de todos os cantos do país chegam revelações graves desses factos que configuram violação autêntica ao direito dos cidadãos.

Na província da Lunda, informa, os eleitores do município de Mucanda foram transferidos para a comuna Xiluanje, que fica a sensivelmente 200 quilómetros.

A UNITA afirma que tinha razão quando levantava dúvidas sobre “a seriedade e honestidade do MAT, por ser parte interessada e porque já em 2012 protagonizou a viciação que redundou em maioria qualificada, atribuída ao MPLA”.

Vitorino Nhany recorda que, em 2012, cerca de 2.314.841 eleitores foram deliberadamente transferidos para províncias e localidades não solicitadas pelos mesmos, contribuindo para uma abstenção na ordem dos 37%!

“Durante o acto de actualização de dados, a UNITA foi recordando tais acontecimentos e solicitou a correcção dos erros do passado, o MAT foi fazendo ouvidos de mercador, nunca respondeu aos ofícios e cartas endereçadas para em conjunto contribuirmos para a transparência e lisura do processo”, afirmou o dirigente da UNITA, revelando que o seu partido detectou três aspectos preocupantes que indiciavam fraude eleitoral, nomeadamente não partilha de dados entre brigadistas e fiscais de partidos políticos, duplos registos e recolha coerciva de cartões de eleitor.

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