Vivemos numa capital de políticos papagaios ambulantes que, em Luanda, se vão substituindo uns aos outros na governação da província. São muitos os casos de governadores provinciais a representarem o papel de cómicos matumbos. O governo da província de Luanda não foge à regra e os actores principais são seleccionados entre todos aqueles que são capazes de raciocinar talvez com as cabeças dos dedos dos pés.

Por Domingos Kambunji

A demagogia é uma prática muito vulgarizada nos sobas que se vão substituindo na sanzala de Luanda.

Alguém disse que a província de Luanda, nos últimos tempos, já teve mais governadores do que as verdades proferidas pelo José Eduardo dos Santos, durante o seu longo reinado, e do que o João Malandro Lourenço, durante a campanha eleitoral e nos primeiros tempos de presidência, obedecendo às ordens superiores do Presidente do MPLA.

Ainda não há muitos meses andou por aí um rapazito, de fato e gravata, mascarado de Secretário de Estado do Ambiente ou de Ministro (é a mesma coisa em Angola) a alertar toda a gente de que o lixo de Luanda poderia ser reciclado, comercializado e daria muito lucro. O que estamos a observar é que parece que o lixo de Luanda é reciclado para ocupar o cargo de governador de Luanda e só dá prejuízo. Assim demonstram as práticas dos últimos tempos.

Os verdadeiros dirigentes e líderes, quando observam uma adversidade, procuram atacar as causas que conduzem a consequências menos boas. Ora, o que todos nós sabemos, Angola teve sempre uma grande falta de líderes e de liderança, porque todos tinham e têm que obedecer ao chefe máximo.

Muitas vezes o chefe máximo não é líder, e Luanda é um exemplo disso. O chefe máximo teme-se, não se respeita. Medo não é respeito, não é o caminho mais directo para se desenvolverem sinergias. O medo é uma causa que obriga o obedecer, a grande maioria das vezes sem necessidade de raciocinar.

“Soldado mandado não pensa, obedece”. Foi por isso que muitos milhares de angolanos morreram durante a guerra civil, obedecendo às ordens superiores para enriquecerem os generais do MPLA.

Luanda tem um novo “general do governo provincial”. Este também não foge à regra implantada pelos anteriores. A propensão para o disparate e demagogia continua a ser elevada, continua a ser moda.

A existência de um elevado número de zungueiras nas ruas de Luanda é uma consequência da existência de um elevado desemprego na província. O “general governamental” proibiu as zungueiras de quitandar nas ruas de Luanda. A inércia do movimento iniciado há quatro décadas pelos governos provinciais do MPLA leva o novo governador, com velhos vícios, a atacar as consequências do problema em vez de tentar resolver as causas que provocam a actividade desses vendedores e vendedeiras de rua. Não aumentam as ofertas de emprego, ataca-se os desempregados.

A cultura que o MPLA tenta reinventar em Angola é a de dar o benefício da dúvida aos novos governantes, com velhos vícios. Estes protagonistas, com o guião repetitivo que seguem, dão-nos oportunidade de perceber, com muita antecedência, qual será o final do filme.

Quando o novo governador, com velhos vícios, for substituído pelo próximo, o MPLA irá dizer: agora é que vai ser, agora é que a província tem um governador competente. Até o próximo governador ser substituído pelo que vier a seguir.

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