ANGOLA. O Sindicato Nacional dos Professores Angolanos (Sinprof) alertou hoje que 11 professores da província do Cuanza Norte estão a ser “perseguidos e ameaçados pelas entidades locais” por terem participado na greve nacional de Abril.

Em declarações à agência Lusa, a secretária-geral do Sinprof, Hermínia do Nascimento, manifestou-se preocupada, considerando a situação “muito grave” face ao silêncio das autoridades já contactadas.

“A situação é muito preocupante e é a primeira vez que denunciamos isso publicamente, porque o clima já nem dá, para além de outras situações com os colegas, até a correrem risco de vida, com ameaças. Já solicitámos a intervenção de várias estruturas do país, mas a situação continua”, lamentou.

De acordo com a sindicalista, que acusa o director provincial da educação do Cuanza Norte de “estar por detrás desta onda de ameaças aos líderes provinciais do Sinprof”, os professores visados estão a ser “severamente castigados”, com transferências para localidades distantes da sede da província.

“Transferindo os nossos dirigentes e líderes sindicais para municípios mais longínquos, que distam mais de 150 quilómetros da sede da província, violando a lei. Isso é retaliação, neste momento temos 11 professores nessa situação”, explicou.

O Sindicato Nacional dos Professores angolanos suspendeu, em Abril, a segunda fase da greve no ensino geral, no quadro das negociações como o Ministério da Educação, alertando que os docentes podem retomar a terceira fase das reivindicações, no terceiro trimestre deste ano, caso não se solucionem as suas reclamações na totalidade.

O Sinprof diz aguardar desde 2013 por respostas do Ministério da Educação e das direcções provinciais de Educação ao caderno reivindicativo, nomeadamente sobre o aumento do salário, a promoção de categoria e a redução da carga horária, mas “nem sequer 10 por cento das reclamações foram atendidas”.

Hermínia do Nascimento considera a postura das entidades da educação do Cuanza Norte uma “caça às bruxas”, lamentando ainda a “indisponibilidade ao diálogo” manifestado pelas autoridades daquela província.

“Então se a greve foi nacional, o país tem 18 províncias e quem decretou a greve foi a estrutura nacional, porquê perseguir os professores do Cuanza Norte? Inclusive já solicitámos audiências com o director provincial de educação e com o Governador da província”, o que não foi aceite, afirmou.

O ano lectivo de 2017 em Angola arrancou oficialmente a 1 de Fevereiro, com quase 10 milhões de alunos nos vários níveis de ensino, decorrendo as aulas até 15 de Dezembro.

Lusa

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