Bastou mudar de Presidente da República para todos ficarmos a saber o que já sabíamos. Ou seja, que o MPLA andou décadas só a fingir que governava. Quem o diz é o… MPLA, agora na versão João Lourenço. Falta, contudo, saber como vai reagir o partido na versão José Eduardo dos Santos.

A falta de esquadras em alguns bairros de Luanda resulta da “incapacidade técnica e infra-estrutural” da Polícia, disse hoje o segundo comandante da Polícia Nacional angolana, Paulo de Almeida, recordando que a “corporação tem homens, mas não tem essas condições”.

“Claro que nós temos de zelar primeiro pela organização policial. Nós temos bairros que não têm esquadras policiais, porque não temos capacidade de pôr infra-estruturas, não temos capacidades técnicas”, disse hoje o oficial da polícia, em declarações à imprensa, em Luanda.

O comissário-chefe falava à margem do encontro de auscultação e concertação com a sociedade civil sobre a segurança pública na província de Luanda, tendo negado que a actual situação de segurança pública em Angola seja preocupante.

“Não estamos a realizar este encontro porque a situação está preocupante, nós é que temos de saber organizar-nos. Qualquer país deve saber organizar-se e não podemos esperar que a situação deva estar bastante preocupante para reagirmos, e é isso que estamos a fazer”, precisou.

Alguma das verdades hoje ditas por Paulo de Almeida é novidade? Não. São tudo verdades velhinhas e de todos conhecidas. Então porque é que nada fizeram? Pois. Aí é que está o busílis. Mas, fazendo fé nos exemplos de várias décadas, é só esperar para ver que vai tudo ficar… na mesma.

Durante o encontro promovido pelo Ministério do Interior e pelo Governo Provincial de Luanda, o ministro do Interior de Angola, Ângelo de Veiga Tavares, exortou os efectivos da polícia a trabalharem mais durante a noite por verificar a existência de “fraco policiamento”, nesse período.

Será que o actual ministro do Interior, Ângelo de Veiga Tavares, é o mesmo ministro do Interior, Ângelo de Veiga Tavares, que integrava o Governo liderado por José Eduardo dos Santos? Será que a realidade do país em geral e de Luanda em particular mudou assim tanto (para pior) desde que João Lourenço assumiu o poder?

O segundo comandante da Polícia Nacional de Angola considerou a pretensão do ministro do Interior como uma “vontade política”, fundamentando que “em qualquer parte do mundo, de noite, há menos polícia”, porque o policiamento nesse período “é mais oneroso”, em comparação com o período diurno. Para além da habitual e repetida descoberta da pólvora, parece que os nossos dirigentes, no caso políticos e polícias, descobriram agora a técnica de La Palice.

“Os esforços de policiamento de noite são três vezes maiores do que o policiamento de dia, claro, nós hoje necessitamos de meios técnicos susceptíveis para se poder garantir um trabalho eficiente nocturno”, sustentou. É obra, convenhamos!

“Comunidade Participativa, Segurança Garantida” foi o lema deste encontro de auscultação da sociedade civil de Luanda, em que aquele oficial da polícia defendeu a necessidade de desenvolver em Angola um policiamento de proximidade.

“Nós temos as brigadas escolares, é um policiamento de proximidade, temos contacto com as autoridades tradicionais, é um policiamento de proximidade. Enfim, há várias formas de se realizar o policiamento de proximidade. Agora o que nós queremos fazer é que toda a sociedade esteja envolvida”, justificou. Com o balanço com que ia até se pensou que a ideia seria sugerir que “toda a sociedade esteja envolvida” em ser ela própria a fazer o policiamento de proximidade…

De acordo com o segundo comandante da polícia angolana, a modalidade de instalação das unidades da polícia “deve ser revista”, com intuito de “facilitar ao cidadão acorrer de forma célere aos serviços policiais, sem percorrer longas distâncias”.

Para um policiamento eficaz, observou ainda, é indispensável o concurso da sociedade: “Hoje o mundo moderno não faz policiamento, não faz segurança, sem a participação da sociedade, e qualquer Estado que efectivamente se quer defender tem de contar com sua sociedade”.

“É um exercício para mobilizar a sociedade nas suas obrigações para que possam velar pela sua segurança”, rematou.

Folha 8 com Lusa

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