O Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Luanda anunciou hoje a detenção de cerca de três dezenas de pessoas, bem como a apreensão de armas de fogo, nas últimas semanas, no âmbito de operações de combate ao crime violento.

O balanço, hoje apresentado em conferência de imprensa pelo director-adjunto do SIC de Luanda, superintendente Jorge Pederneira, dá conta da recuperação de cinco viaturas, uma motorizada, bem como da apreensão de quatro armas de fogo do tipo AKM, duas do tipo Galil, cinco pistolas de marca Makarov e duas outras de marca Geris, entre outros meios.

Segundo o responsável, as operações foram realizadas em colaboração com efectivos da Polícia Nacional do comando provincial de Luanda e resultaram ainda no combate ao roubo qualificado de veículos e na detenção de 27 elementos que se dedicavam a esta prática nos municípios do Kilamba Kiaxi, Belas, Cazenga e distrito do Rangel.

Jorge Pederneira salientou que foram igualmente detidos três homens, em flagrante delito, que se dedicavam ao crime de falsificação de documentos, tendo sido encontrados em sua posse três computadores, carimbos diversos, processos completos para a obtenção de passaportes, pedidos de vistos de saída, entre outros.

No combate ao crime de roubo qualificado em residências, no município de Luanda foram detidos quatro elementos, tendo sido possível a recuperação de 16 telemóveis, um televisor plasma, um descodificador e de 396.000 kwanzas (2.000 euros).

“Ainda neste tipo de delito, no município do Kilamba Kiaxi, procedeu-se à detenção de cinco elementos, e com eles procedemos à apreensão de três armas de fogo”, acrescentou o responsável.

Questionado sobre as investigações ao caso de homicídio em que foram vítimas, no mesmo crime, a antiga apresentadora da Televisão Pública de Angola Beatriz Fernandes, e Jomance Muxito, o director-adjunto de Luanda do SIC referiu que continuam as investigações, estando já detidos até ao momento cinco pessoas.

“Este caso continua sob investigação e peço a compreensão por não podermos fornecer muitos outros dados, porque continuamos a investigar, mas dizer que até ao momento estão detidas cinco pessoas, e todas elas envolvidas no crime”, referiu, tendo ainda avançado que, até ao momento, o móbil do crime é o roubo.

“Estamos a falar de um crime de homicídio, de roubo, e estas cinco pessoas estão envolvidas nestes momentos, quer no momento do homicídio, quer no momento do roubo”, disse Jorge Pederneira, salientando que a detenção ocorreu no momento em que tentavam vender o carro da vítima.

Sobre a nacionalidade dos detidos, o responsável disse que decorrem os trabalhos para se aferir “com bastante propriedade a nacionalidade destes cidadãos”, apesar de tudo indicar que são estrangeiros.

“Há também angolanos, mas na sua maioria são cidadãos estrangeiros”, frisou Jorge Pederneira, informando o envolvimento de mais pessoas, que deverão ser igualmente detidas.

Mudam-se os tempos…

Em Outubro de 2016 as autoridades reconheciam que o aumento da criminalidade em Luanda era reflexo da pobreza. Será que hoje pensam da mesma maneira?

A capital angolana continua a registar o aumento de casos de criminalidade, muitos violentos. A polícia reconhece o elevado índice de delinquência e, de forma quase rotineira, anuncia mecanismos de combate. É, ou tem sido até agora, mais do mesmo.

Em Outubro do ano passado, o comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, reconheceu a subida a pique da criminalidade, em Luanda. Solução? A garantia (repetidamente efémera) de que medidas estavam a ser tomadas para conter a onda da crimes.

“O nosso esforço vai ser dirigido para esta cidade (Luanda) no sentido de transmitir à nossa população aquele sentimento de segurança que a polícia sempre preconizou e que, de vez em quando, tem as suas baixas em termos de prestação de serviço”, reconheceu Ambrósio de Lemos.

Promessas, promessas, promessas

Ainda recentemente (30 de Outubro de 2017), Ambrósio de Lemos, garanta que o número de efectivos da Polícia era suficiente para combater a criminalidade no país, situação que nos últimos dias tem deixado preocupados os cidadãos com relatos de mortes e raptos.

A posição foi assumida por Ambrósio de Lemos num encontro que manteve com o comando provincial da Polícia de Luanda e com as direcções nacionais dos Serviços de Investigação Criminal, Migração e Estrangeiros e Protecção Civil e Bombeiros.

Ambrósio de Lemos reconheceu que, por falta de uma presença policial mais reforçada, as pessoas sentem-se inseguras, mas garantiu que tudo está a ser feito para dar resposta à situação.

“A criminalidade não pode ser superior às nossas forças. Nós temos forças suficientes para poder combater a criminalidade”, atestou o comandante-geral da Polícia Nacional.

Segundo o oficial, o desordenamento urbano de Luanda “tem contribuído para que, em grande parte, os órgãos de segurança não possam corresponder de forma satisfatória às preocupações de segurança pública”.

O comandante-geral da Polícia Nacional considerou também importante uma melhor comunicação entre responsáveis policiais e a comunicação social, no sentido de evitar especulações e o alarme entre os cidadãos.

Para Ambrósio de Lemos, “é necessário que a notícia chegue ao cidadão de uma forma mais concreta, mais verdadeira”, por isso “o comandante provincial tem que estar aberto para poder esclarecer”.

“É que o comandante provincial é simultaneamente o delegado do Ministério do Interior (MININT), portanto, ele superintende os órgãos do MININT e da província de Luanda, e é necessário que o comandante provincial possa de facto esclarecer os órgãos de informação sobre este ou aquele acontecimento numa dessas suas áreas, tem que ter este domínio, porque senão não é comandante provincial, não é delegado do MININT”, apontou.

Nas últimas semanas, há registo de um aumento de casos conhecidos de raptos em Luanda, seguidos de homicídio, vitimando essencialmente mulheres, normalmente obrigadas a fazerem levantamentos de dinheiro nas caixas ATM.

Folha 8 com Lusa

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