VEJA OS VÍDEOS. A manifestação de hoje, em Luanda, contra o ministro Bornito de Sousa foi violentamente reprimida. Os activistas Luaty Beirão e Francisco Mapanda (Dago Nível Intelecto) foram mordidos por cães da polícia. O activista Nelson Dibango encontra-se ferido e desaparecido.


“E
xigimos a demissão imediata do senhor Bornito de Sousa (…) Tendo em conta o nosso compromisso com a transparência do processo eleitoral, como uma das formas é evitar a fraude eleitoral, sairemos às ruas em protesto”, lê-se na carta que os activistas organizadores do protesto enviaram ao Governo Provincial de Luanda, informando da manifestação.

A carta foi assinada por quatro activistas angolano, entre os quais Hitler Samussuku e Arante Kivuvu, que integraram o grupo de 17 jovens condenados em 2016, pelo tribunal de Luanda e de acordo com as “ordens superiores” previamente recebidas, a penas de prisão e mais tarde amnistiados.

Em causa o facto de, simultaneamente, Bornito de Sousa ter sido anunciado este mês como número dois da lista candidata do MPLA às eleições gerais, concorrendo assim ao cargo de vice-Presidente. A lista do partido no poder em Angola desde 1975 é liderada pelo general João Lourenço, actual vice-presidente do MPLA e ministro da Defesa Nacional, que dessa forma concorre a Presidente da República.

“Levei porretes, fui mordido por um rottweiler da polícia e não consigo mexer a mão esquerda. Não sei se tenho algum problema no tendão”, contou à Lusa Luaty Beirão, após a manifestação ter sido impedida pela intervenção da polícia.

O activista integrava um grupo de 10 jovens que foram barrados pela Polícia do MPLA quando se aproximavam do largo 1.º de Maio, em Luanda, para a manifestação pedindo a demissão do ministro Bornito de Sousa.

“Vários miúdos com escoriações, levaram com agressões indiscriminadas da polícia, na cabeça, a pontapé, com porretes e cães”, apontou ainda Luaty Beirão, após ter sido assistido e ainda queixoso.

Além de Luaty, a tentativa de manifestação pacífica naquele local central da capital envolveu vários outros activistas do grupo de 17 que em Março de 2016 foram injustamente condenados pelo Tribunal de Luanda a penas de cadeia até oito anos e meio, entretanto abrangidos pela lei da Amnistia, aprovada pelo parlamento, casos de Hitler Samussuku e Arante Kivuvu.

Antes da tentativa de protesto, o largo já se encontrava vedado por agentes policiais, e na envolvente permaneciam vários elementos da Polícia Nacional do MPLA, inclusive com equipas cinotécnicas, por alegadamente a manifestação não estar autorizada.

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