A Polícia Nacional de Angola agrediu hoje, 15.08.2017, um jornalista da Rádio Ecclésia, que a pedido de alguns moradores do bairro Boavista, município do Sambizanga, em Luanda, nas proximidades da Sonils, uma empresa subsidiária da Sonangol, averiguava denúncias sobre o vazamento de gás tóxico naquelas imediações.

Por Idalina Diavita e Pedrowski Teca

O jornalista Salgueiro Vicente (foto), ao serviço da Rádio Ecclésia, atendia ao grito de socorro dos populares que denunciaram estar a ser bombardeados pelo mau cheiro de gás vindo da Sonils.

No local, com forte aparato policial, enquanto o jornalista ouvia os populares, apercebeu-se da presença do director da Sonils no quintal da referida empresa. O jornalista pediu permissão aos agentes policiais que estavam no portão, explicando que no exercício mais elementar da sua profissão pretendia ouvir o parecer do director.

“Estes começaram logo a agredir-me. Empurraram –me simplesmente para não me deixar passar e começaram logo a agredir. Tive que ser socorrido pelos populares presentes no local,” contou o jornalista.

Contacto pelo Folha 8, o jornalista Salgueiro Vicente afirmou estar bem, isto é, sem sequelas físicas.

Num comunicado enviado à imprensa, a Sonangol confirmou que na madrugada de 15.08.207 ocorreu uma fuga de combustível, no mar, na linha de transporte de gasolina dos navios abastecedores para as instalações da Sonils, na Boavista, em Luanda.

“A operação, que provocou uma perda estimada entre 30 a 40 metros cúbicos de gasolina, foi desde logo suspensa tendo sido desencadeados os mecanismos próprios para conter, de imediato, eventuais danos para pessoas e ambiente, o que se concretizou poucos minutos mais tarde,” lê-se no comunicado.

Quanto ao intoxicamento, a Sonangol reconheceu que foram detectadas algumas situações de desconforto físico, com dificuldades respiratórias, sentidas por algumas dezenas de populares, que foram prontamente assistidos, nas instalações clínicas da Sonils, tendo a esmagadora maioria regressado já à sua actividade normal.

A empresa também informou que nenhum dos seus colaboradores sofreu qualquer dano no acidente.

O forte aparato policial surgiu no local porque, de acordo com as normas de preservação do meio ambiente que presidem a todas as suas actividades, a Sonangol comunicou o sucedido às autoridades competentes.

A Sonangol assegurou que não há vestígios de hidrocarbonetos, em mar ou em terra, pelo que não se antevêem outras consequências.

A petrolífera estatal revelou que está em curso uma investigação da ocorrência conduzida por uma equipa multidisciplinar.

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