Ao contrário de algumas teses, mais ou menos oficiais, mais ou menos históricas, a cidade do Sumbe (ex-Novo Redondo), capital da província do Kwanza Sul, comemora o seu aniversário a 7 de Janeiro e não a 28 de Maio, data esta em que lhe foi atribuída, em 1956, a designação de cidade.

Para tirar dúvidas basta consultar a respectiva Certidão de Nascimento:

“A fundação de Novo Redondo foi determinada pela seguinte carta-patente, que o Governador D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho remeteu ao Capitão-mor da Muxima, José Rodrigues, em 7 de Janeiro de 1769, nomeando-o regente de Gunza-Cabolo e dando-lhe instruções sobre o modo como executaria a sua função:

Pela Patente que Será remetida a Vm, verá a graduação em que fica, o exercício, que lhe dou, e o bom serviço, que espero faça a Deus Nosso Senhor, a El-Rey, e aos Povos, avassalando, e fortificando do modo possível o bom Porto de Gunza-Cabolo, a que dará o nome de Novo Redondo, no qual executará todas as Ordens, e Regimentos, que lhe serão entregues, e particularmente as que indico nesta carta, que lhe Servirá de Regimento. Para que a Religião Seja o primeiro objecto das açoens, procurará vm estabelecer a Paroquia, e Missão com o título de Nossa Senhora da Conceyçaõ, dando todo o auxílio ao Missionario, para que Suavemente, faça entrar no Cristianismo esses Barbaros, para cujo fim será o melhor meyo o do bom exemplo, que vm.ces lhes derem.

Ainda que vm deve Repelir com toda a força em q. os Negros o procurarem atacar, com muita honra das armas de S. Mg.de deve declarar aos d.os Negros, que lhe oferece a Paz, e o comercio, e que naõ uzará de violência, senaõ enquanto eles quizerem; por cuja cauza fará todo o esforço por pacificar bem depreça estas Terras, reduzindoas ao mayor socego, e á melhor ordem.

Esta Conquista, e Prezidiaçaõ tem dois objectos: o primeiro, evitar, que os Estrangeiros se aproveitem do nosso descuido, comerciando naquele Porto, e no de Benguela a velha; o segundo, a descoberta, e extraçaõ do cobre; para satisfazer o primeiro estabelecerá vm Feira em que esses Povos, e os de toda a Costa venhaõ comprar o que necessitarem, prohibindo que algum deles admita Navios Estrangeiros, pois q. cessa o motivo da indigência em que estavaõ de Fazendas para cubrirse, e aos mesmos Estrangeiros responderá vm com a prohibiçaõ do Comercio, e impossibilidade dos Viveres; para o Segundo, deve vm logo que chegar fazer extrair a Pedra Mineral, que estiver debaixo da Terra, naõ só no Monte de que eram as primeiras, mas em todos os mais; cujas Pedras me Remeterá informando da quantidade, e circunstancias de Matos, e vezinhança do Mar, o que assim mesmo fará em todos, e quaisquer géneros, que vir, e lhe fizerem estranheza, ou novidade.

O Prezidio deve ser feito em lugar alto, que domine a entrada do Porto, e fique Livre das inundaçoens do Rio; E porque neste Reyno há o costume de fazer as Fortalezas separadas das cazas, devo advertir a vm, que as dos oficiais, e dos Soldados, e por hora dos Negociantes, devem ficar Livres da Sorpreza dos Negros bárbaros, que já mais conheceraõ outro Domínio nas Suas Terras; e basta que a Fortificaçaõ seja por hora muito Simplices, feita de Estacas com hum pequeno Fosso, porque depois de Seguro o estabelecimentº se ordenará o que melhor parecer.

Como seria impossível prover de Mantimentos a nova Povoaçaõ, com a incerta Viajem do Mar, mando fazer esta expediçaõ pouco antes das Agoas grandez, para que concluída ao tempo delas, possa vm plantar, e Semear o que hade comer, obrigando os Soldados a cultura dos campos, naõ só para os ocupar, mas para os Livrar das mizerias, que acompanhaõ a Fome.

Como Vm deve praticar todos os meyos, que podem fazer menos pezado o jogo aos Negros, hade fazer lhes huma Recta, e imparcial justiça; hade concervar os Soldados em huma exacta disciplina, evitando que façaõ violências, ou Roubos, e castigando Severamente a menor dezordem; hade fazer que se cumpra os Livrar das mizerias, que acompanhaõ a Fome, pelas Medidas certas, e inalteráveis, que tenho estabelecido; e que enfim, naõ Suspirem os Negros pela antiga Liberdade de que gozavaõ. Porque no dito Porto se acharaõ quatrocentas, e tantas jangadas de Pescaria com que vivem os Negros, Vm lhes fará concervar os seus bens em pleno Socego, evitando, que Se lhes tome alguma coiza por força, ou que façaõ Serviço, que Se lhes naõ paguem.

O Sova concervará o mesmo domínio sobre os seus Vassalos, que antes tinha com a necessária Sujeiçam ao Cristianismo, e ás Leys Regias de S. Mag.de, e como vm hé o primeiro, que ali Rezide com jurisdiçaõ, espero, q. funde esta Colónia nos bons costumes, que devem acreditalo, e fazer lhe huma infinita honra para merecer a atençaõ do mesmo Senhor.

Ds. Gde a vm.

S. Paulo d’Ass.am a 7 de Janeiro de 1769

D. Francisco Innocencio de Souza Coutinho”.

Novo Redondo foi, pela primeira vez, visitada pelo Chefe de Estado português da altura, general Francisco Higino Craveiro Lopes, em 27 de Junho de 1954, e pelo decreto número 40.225 de 20 de Julho de 1955 é elevada a capital do distrito.

Porém, apenas a 28 de Maio de 1956, pelo diploma legislativo número 2757, é elevada à categoria de cidade.

A fundação iniciou-se em 7 de Janeiro 1769 quando o governador Inocêncio de Sousa Coutinho ordenou a uma brigada de engenheiros para fazer a escolha do local onde se instalaria o então Novo Redondo.

Para a instalação do presídio embarcaram 100 homens com dois canhões sob comando dos capitães Joaquim Monteiro de Morais e António José da Costa, enquanto a primeira igreja foi edificada em 1811.

A sua evolução deu-se a partir de 1785 com a construção da primeira fortaleza de pedra, ao passo que os primeiros serviços de saúde foram constituídos em 1872, pelo médico Francisco Joaquim Vieira, enquanto Novo Redondo tornou-se na primeira cidade angolana a ter iluminação domiciliária fornecida a partir da barragem hidroeléctrica do rio Cambongo.

Com uma população constituída por cerca de 35 mil habitantes, as etnias predominantes são: os Mupindas, Musseles, Bailundos, Lumbos e Amboins.

Segundo o historiador angolano Mendes Lopes, a cidade recebe o nome de Sumbe por ser uma região onde se vendiam muitos escravos e pessoas da região do planalto para lá se deslocavam-se para comprarem sal e efectuar outras trocas comerciais.

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