A infância é um período de crescimento e desenvolvimento rápido por isso é necessário que os bebés façam as consultas e exames periódicos para se detectar diversas doenças precocemente defendeu hoje, terça-feira, em Luanda, a médica pediatra Elisa Gaspar. Se este conselho se aplicasse em Angola não estaríamos na liderança mundial da mortalidade infantil.

Ao falar no programa “Sua manhã” da TPA (Televisão Privada do MPLA), a médica referiu que a primeira consulta do bebé deve ser feita o mais cedo possível, de preferência durante a primeira semana após a alta da maternidade.

Entre o quarto e o sétimo dia de vida, o bebé deve ser levado à sua unidade de saúde para fazer o teste do pezinho (rastreio neonatal do hipotiroidismo, insuficiência de funcionamento da glândula tireóide ou conjunto de perturbações provocadas pelo funcionamento insuficiente).

Segundo a especialista, as vacinas também são importantes no seu crescimento para evitar diversas doenças infecciosas.

“As vacinas BCG e anti-hepatite B não devem ser dispensados e as consultas servem para se supervisionar tudo isso, bem como prevenir precocemente os problemas de saúde, e o calendário de vacinas serve de guião para o seu controlo”, assegurou.

Por outro lado, aconselhou as mães a amamentarem logo ao nascerem, porque o leite pós-nascimento (colostro) os protege de várias doenças.

Fez saber ainda que o colostro é um fluído amarelado e quase transparente, produzido antes do leite materno, e deve ser dado ao bebé o mais cedo possível.

Segundo a pediatra, trata-se de um líquido rico em proteínas, água e gorduras essenciais, nutricionalmente adaptado às necessidades do recém-nascido.

A responsável salientou que este líquido reforça o sistema imunitário do recém-nascido, pois o colostro está repleto de anticorpos produzidos pela mãe, que transmitem ao bebé a informação sobre todos os microorganismos com os quais ela entrou em contacto durante toda a sua vida, protegendo, assim, o seu recém-nascido.

De acordo com Elisa Gaspar, o aparelho digestivo do bebé não está preparado para receber outros alimentos, reforçando-as a dar de mamar exclusivamente o leite materno até aos seis meses e depois continuado até os dois anos com introdução de outros alimentos.

O país real que a realeza desconhece

Por cada mil nados vivos em Angola, morrem 156 crianças até aos cinco anos, de acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde. Esta é mais uma medalha de mérito no peito (já de si atestado de medalhas semelhantes) de sua majestade o rei de Angola, José Eduardo dos Santos, e que assim vai continuar com o clone emérito João Lourenço.

Angola aparece assim, e com todo o mérito, na cauda da tabela da mortalidade infantil mundial e foi o país com a segunda mais baixa esperança de vida em 2015, indica o último relatório anual da Organização Mundial de Saúde (OMS). Coisa pouca, não é senhores donos disto tudo?

Segundo o documento, por cada 1.000 nados vivos morrem em Angola 156,9 crianças até aos cinco anos, apresentando por isso a mais alta taxa de mortalidade mundial em 2015.

Além disso, em cada 100.000 nados vivos em Angola morrem 477 mães, neste caso distante da Serra Leoa, onde para a mesma proporção morrem 1.360 mulheres. Certamente que, também nesta matéria, é caso para dar os parabéns à realeza angolana, bem como a todos os seus acólitos, internos e externos.

A OMS, que não levou em conta os dados antagónicos dos especialistas do regime, refere igualmente que a esperança média de vida à nascença em Angola cifrou-se nos 52,4 anos, apenas à frente da Serra Leoa, com 50,1 anos. Boa. Mais um argumento para que, ao fim de 38 anos de poder, José Eduardo dos Santos seja merecedor de um prémio Nobel.

Mas, é claro, que a OMS não percebe nada desta matéria. É que, segundo os dados mais credíveis do mundo (os do MPLA), a esperança média de vida no país passou a estar fixada em 60,2 anos. Vejam se aprendem, Ok?

Ainda segundo regime de sua majestade o rei, as mulheres angolanas aspiram agora a viver até aos 63 anos e os homens até aos 57,5 anos, num universo de 25,7 milhões de habitantes.

É claro que a OMS considera que essa esperança de vida foi em 2015 de 54 anos nas mulheres e de 50,9 anos nos homens, para um universo de 25,022 milhões de habitantes.

Segundo o relatório estatístico da OMS, em Angola, a expectativa de uma vida saudável à nascença é de apenas 45,8 anos, igualmente uma das mais baixas do mundo. Mas alguém acredita? Claro que não. Basta olhar para o paradigma dos angolanos – o clã presidencial.

Mais uma vez sem levar em conta quem sabe (continuamos a falar do comité da especialidade do MPLA), a OMS refere que perto de metade da população angolana (49%) tinha acesso a fontes de água potável, o que é o segundo pior registo em 47 países africanos, enquanto o acesso a saneamento abrange 52%, a 11ª posição no mesmo grupo.

Esquece-se a OMS de dizer, mas o regime não vai em cantigas e di-lo com todas as letras, que a culpa de tudo isto é do colonialismo português numa primeira fase e também, parafraseando João Lourenço, da UNITA/Jonas Savimbi. Apesar de independente há 42 anos, este tempo ainda só foi suficiente para enriquecer a família de sua majestade o rei.

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