A Segurança de Estado angolano mais uma vez caiu na armadilha impotente na estratégia de conseguir domar-nos, através de um dos seus mais emblemáticos agentes veio a terreiro dizer que o Folha 8 é um pasquim que a sociedade despreza e a sua impressão semanal ronda os 300 exemplares.

Por William Tonet

Bom! Os bufos (se fossem inteligentes não o seriam) confundem a árvore com a floresta, pois se assim é os nossos 300 são fêmeas e multiplicam-se, em milhares semanalmente. É a táctica do SINFO. Mas, como sempre, o F8 estará preparado, para resistir e continuar na sua senda.

A Segurança de Estado e o SIC (Serviços de Investigação Criminal), não largam as abjectas investidas contra um dos mais antigos projectos autóctones de comunicação social e que, aliás, a cada dia que passa soma êxitos no contexto da Imprensa internacional de referência que cada vez mais consulta e cita o Folha 8.

Não nos intimidam. Não nos desanimarão, pelo contrário, a cada ameaça continuaremos na rota do dever. Se o nosso valor se medisse pela qualidade, seja intelectual ou cívica, destes esbirros, é certo que o SIC nos amesquinhava terrivelmente.

O F8 é e continuará a ser uma tribuna livre, um jornal de causas: Liberdade, Democracia, Transparência e coluna vertical erecta, por mais que sejam as perseguições. Perante os homens, por muito poder que tenham, por muito armados que estejam, estaremos sempre de pé.

Temos um projecto: informar os angolanos e Angola. Não é fácil, não tem sido fácil resistir, por mais de duas décadas, numa selva, onde os assimilados e complexados governam o país governando-se, impondo a lei da bala, para amordaçar o cidadão e a liberdade de imprensa.

Felizmente o F8, como reza a sua Linha Editorial (a nossa Bíblia), é um órgão independente dos poderes político, económico, religioso, social e outros. Tudo por acreditarmos, não haver nada mais importante para, um homem, do que viver livre das grilhetas opressoras. Preferimos ser livres de barriga vazia do que escravos com ela cheia.

Não é fácil defender valores éticos, morais, num território onde as palavras de ordem são opressão, ditadura e corrupção, que deleita, em cada esquina, políticos e governantes alheios aos sentires, sonhos e sofrimento das populações. Eles senhores, são macabros, insensíveis e abomináveis, porque preocupados, apenas, com vaidades umbilicais.

E, face às denúncias públicas, em nome da verdade, somos um alvo a abater, logo perseguidos pela Segurança do Estado, SIC e seus agentes, com o objectivo de destruir, os computadores, materiais e instalações do F8. Esquecem-se, contudo, que não há poder bélico aliado à razão da força que consiga destruir a simples mas perene força da razão.

Por esta razão, o F8 mantém o compromisso de manter acesa a chama da liberdade de imprensa, mesmo quando nos invadem a redacção, roubando-nos os computadores (mais de duas vezes) para inviabilizar as edições. Felizmente goramos a intenção dos agentes da Segurança de Estado, que hoje, não sabem, onde é a verdadeira redacção do F8 e quantas são as gráficas, que semanalmente, imprimem o jornal, não vá o diabo tecê-las.

Mesmo alguns quadros não entendem a teoria da multiplicação e como o jornal de 300 exemplares como dizem, nos seus relatórios, os agentes da Segurança de Estado, mas depois são confrontados com a realidade, face à multiplicação dos jornais que invadem Luanda e as províncias do país, para além da versão electrónica diária. Tudo isso, coloca uma espinha na garganta de quem considera um pasquim, o órgão mais referenciado em, todas as sondagens.

Acresce que, paralelamente à edição impressa, o Folha 8 diário (na Internet) – que cruza o mundo à velocidade da luz – tem mais de 15 mil visitas únicas por dia, a esmagadora maioria a partir do reino desta gentalha que se acha dona da verdade e da vida dos outros. Também a edição em PDF (cópia fiel do jornal impresso) é consultada por mais de 1500 pessoas.

Chamar os bois pelos nomes

A verdade faz doer, mas só ela cura. O regime de Eduardo dos Santos não quer ser curado. Está moribundo.

A verdade faz doer, mas só ela cura. O regime de Eduardo dos Santos não quer ser curado. Está moribundo.

Manuel Vicente foi acusado pelo Ministério Público português por crimes de branqueamento de capitais, lavagem de dinheiro e corrupção. Esta acusação é grave e levou o Executivo a fazer um suposta prova de vida (barrando a entrada no país da ministra da Justiça de Portugal) que, bem vistas as coisas, nada mais é do que o estertor próprio de um regime moribundo.

Ontem mesmo, o Governo de José Eduardo dos Santos classificou como “inamistosa e despropositada” a forma como as autoridades portuguesas divulgaram a acusação do Ministério Público de Portugal ao vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, e alertou que essa acusação ameaça as relações bilaterais.

A posição do Titular do Poder Executivo, José Eduardo dos Santos, mereceu a prévia concordância do Presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, bem como do Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Foi, portanto, uma posição unânime de todos os poderes existentes em Angola…

A posição oficial do regime surgiu numa nota do Ministério das Relações Exteriores de Angola protestando “veementemente contra as referidas acusações, cujo aproveitamento tem sido feito por forças interessadas em perturbar ou mesmo destruir as relações amistosas existentes entre os dois Estados”.

Pelos vistos, no entendimento dos peritos do regime – com José Eduardo dos Santos à cabeça – Manuel Vicente é mesmo culpado. O Ministério Público português acusou, não julgou. No entanto, pela reacção do regime angolano, é de crer que o actual vice-Presidente da República tenha mesmo praticado os actos de que é acusado. Isto porque, num Estado de Direito (que Angola não é), até ser julgado e eventualmente condenado Manuel Vicente é inocente.

No documento do regime angolano, refere-se que as autoridades angolanas tomaram conhecimento “com bastante preocupação, através dos órgãos de comunicação social portugueses”, da acusação do Ministério Público português “por supostos factos criminais imputados ao senhor engenheiro Manuel Vicente”.

Para o Governo de José Eduardo dos Santos, bem como para o Presidente do MPLA e da República, a forma como foi veiculada a notícia constitui um “sério ataque à República de Angola, susceptível de perturbar as relações existentes entre os dois Estados”.

O regime angolano tem razão. Se em Angola não há separação de poderes, por que carga de chuva Portugal permite – sobretudo nas relações com os altos dignitários do regime angolano – que essa separação exista? Francamente.

“Não deixa de ser evidente que, sempre que estas relações estabilizam e alcançam novos patamares, se criem pseudo-factos prejudiciais aos verdadeiros interesses dos dois países, atingindo a soberania de Angola ou altas entidades do país por calúnia ou difamação”, sublinha a nota do regime.

Nem mais. Investigar e depois acusar são, para o regime angolano, provas inequívocas de calúnia e difamação. Por alguma razão, que Portugal deveria levar em conta, em Angola até prova em contrário todos são culpados. Já no estrangeiro, todos os cidadãos ligados ao regime são inocentes, sempre inocentes, sejam quais forem as provas.

As autoridades angolanas consideram que, juntamente com Portugal, as suas relações deviam concentrar-se “nas relações mutuamente vantajosas, criando sinergias e premissas para o aprofundamento da cooperação económica, cultural, política, diplomática e social, como meio de satisfação dos interesses fundamentais dos seus povos”.

Admite-se que, eventualmente, e na perspectiva de “relações mutuamente vantajosas”, o próximo Procurador Geral da República portuguesa seja João Maria de Sousa, o impoluto e honorável PGR do MPLA.

Ao mostrar que não gostou da acusação de corrupção activa e branqueamento feita por Portugal contra o vice-presidente Manuel Vicente, o regime resolveu mostrar a razão da sua força (na ausência da força da razão) adiando “sine die” a visita de Francisca Van Dúnem.

É caso para perguntar a Augusto Santos Silva se com esta atitude José Eduardo dos Santos deu também “mais um sinal de que Angola segue os melhores padrões internacionais”?

Mais uma vez o regime dá razão à Freedom House que afirma, no seu último relatório, preocupação pela influência de Angola (leia-se e entenda-se influência do regime angolano) nos meios de comunicação social portugueses.

Aliás, segundo o Folha 8 apurou, o embaixador itinerante do regime angolano, Luvualu de Carvalho, terá já manifestado à RTP o seu desagrado por a “estação do Estado português” ter ilustrado uma peça sobre esta questão (Telejornal do passado dia 22) usando e mostrando o que o Folha 8 escrevera. Sim, o mesmo Folha 8 dos 300 exemplares que – como dizem os lacaios do costume – a sociedade despreza…

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