ANGOLA. O director da Saúde de Benguela (oeste de Angola) denunciou hoje o desvio de medicamentos de hospitais públicos para clínicas privadas, realizado a partir da central de compras.

Bernabé Lemos, que se reuniu hoje com quadros do sector, denunciou ainda a emissão por médicos de baixas médicas falsas, que agora estão a diminuir com a aplicação de maiores medidas de controlo.

Segundo Bernabé Lemos, devido a esses desvios faltam até luvas para que os médicos realizem o seu trabalho.

“Às vezes encontramos unidades sem luvas, os médicos já dentro dos bancos de urgência sem luvas, a fazer os procedimentos sem luvas”, disse o responsável, citado hoje pela rádio pública angolana.

O responsável referiu-se ainda ao “descaminho dos medicamentos, que já são poucos” que vão “parar às unidades sanitárias privadas”. “Isto está a ser registado”, afirmou.

Barnabé Lemos avançou que actualmente, na recepção de medicamentos, está presente a inspecção da saúde, “para conferir se veio certo”.

“Se não veio certo, reclamamos de imediato”, disse Bernabé Lemos, criticando ainda o fenómeno da emissão de juntas médicas falsas.

“Inventam juntas médicas para o professor não trabalhar, para o enfermeiro não trabalhar, vamos supor por exemplo que a senhora tem um tempo de gestação, tem um alto risco obstétrico fica de repouso até ao parto, mas a gente vê essa senhora a buzinar, a andar de bicicleta, a viajar”, criticou.

Para reverter o quadro, que está já a registar uma diminuição de casos, estão a ser reavaliados esses casos, pela direcção clínica do Hospital Geral de Benguela, a unidade de referência.

“As reclamações eram muitas dentro das empresas privadas. Até pessoas que trabalham nos bancos, trazem um processo de uma clínica a submeter a pessoa à junta e a pedir repouso, nós estamos a fazer esse doente ser reavaliado”, disse.

Lusa

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