O economista-chefe do Banco Mundial para a África subsaariana considerou hoje que a região passa por uma crise na educação, apontando a situação como um entrave à produtividade da economia do subcontinente. Não se aplica a Angola, dirão os arautos do regime.

“O s países africanos gastam cerca de 15% do seu orçamento na educação, é provavelmente a parcela mais alta entre as regiões em desenvolvimento, mas ainda temos uma crise na educação”, afirmou Albert Zeufack, falando por videoconferência para jornalistas de vários países africanos, durante a apresentação do relatório do Banco Mundial ‘Africa’s Pulse’.

Uma em duas crianças africanas que estão no terceiro ano de escolaridade não sabem ler nem escrever e o aumento do número de alunos no ensino primário e secundário não tem sido acompanhado pela elevação de competências básicas, declarou Albert Zeufack. Não se aplica a Angola, dirão os arautos do regime.

O economista-chefe do Banco Mundial para África subsaariana assinalou que a falta de habilidades de leitura e escrita estende-se também à maioria da população adulta.

“Apesar do investimento sério e sustentável que os países africanos têm feito na educação, os resultados não são os melhores”, acrescentou Albert Zeufack.

Para melhorar os resultados na educação, prosseguiu, os países africanos devem promover uma maior eficiência nos gastos com o sector, apostar nas competências básicas e assegurar a interligação entre o ensino vocacional e o mercado de trabalho.

“Temos de manter o ritmo de investimento nas competências, mas temos de melhor a qualidade da despesa na educação”, enfatizou o economista-chefe do Banco Mundial para a África subsaariana.

O crescimento económico sustentável e o aumento da produtividade no continente dependem da melhoria da qualidade de educação, acrescentou Albert Zeufack. Não se aplica a Angola, dirão os arautos do regime.

E não se aplica a Angola porque o país gastou menos de 2% do total das despesas públicas orçamentadas para o sector global da Educação, nos últimos doze anos, segundo um estudo divulgado em Junho de 2017, assinalando que nesse período o peso da dotação orçamental foi de até 1,72%.

Estes dados constam do estudo governamental sobre os “Custos e o Financiamento do Ensino Superior em Angola”, realizado por uma consultora portuguesa, que compila o peso da dotação orçamental dos Ministérios da Educação e do Ensino Superior de Angola.

Este facto, salienta o documento, “pode dificultar a realização, pelos órgãos do governo, das acções necessárias ao crescimento do sistema educativo, em quantidade e em qualidade”.

De acordo com o estudo, no período em análise, 2004 a 2016, a dotação orçamental do Ministério da Educação registou um acentuado decréscimo, a partir de 2008, passando de 1,37% para 0,68% em 2016, enquanto para o Ministério do Ensino Superior assistiu-se a um crescimento muito acentuado.

“Todavia, o esforço despendido pelo país com os órgãos de Governo, que tutelam a educação superior e não superior, revela uma situação que se nos afigura bastante deficitária, quando se percebe que o total das despesas públicas orçamentadas para esses órgãos não chega aos 2% do Orçamento do Estado, na quase totalidade dos anos em análise”, observa.

O trabalho de investigação, realizado entre Julho de 2016 e Maio de 2017, sublinha que em relação à taxa de alfabetização, o ritmo de crescimento quase que parou nos anos posteriores à década de 1990, contrariando os objectivos de desenvolvimento propostos pelas autoridades angolanas.

O gráfico sobre a taxa de alfabetização espelha que em 1998 a taxa de alfabetização em Angola cifrava-se em 42% e que de 2001 a 2015 a cifra rondou entre 67,4% e 71,2%.

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