Isabel dos Santos, a emérita filha do também emérito presidente Angola, José Eduardo dos Santos, fez hoje o que deveria ser feito pelo seu pai. Ou seja, mostrar “tristeza” e “solidariedade” com os portugueses pelo incêndio em Portugal que já causou 61 mortos. Não basta chamar emérito a quem, na verdade, é apenas e só imérito…

“V emos que o incêndio ainda está por controlar e o incansável, corajoso trabalho de todas as corporações de bombeiros mobilizadas”, referiu Isabel dos Santos, eventualmente assumindo o papel oficioso de porta-voz de um regime que, mais uma vez, confundiu a beira da estrada com a estrada da Beira. Nada a fazer.

A empresária e filha do chefe de Estado angolano, nunca nominalmente eleito e há 38 anos no pode, Isabel dos Santos assumiu hoje “tristeza” face ao incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, Portugal, e que já provocou 61 mortos, elogiando o “corajoso” trabalho dos bombeiros. Está a ser sincera. Os portugueses podem acreditar.

Numa mensagem publicada hoje pela empresária e – entre muitas outras coisas – Presidente do Conselho de Administração da empresa petrolífera do regime do MPLA (a Sonangol), na sua conta oficial na rede social Instragam, Isabel dos Santos escreve que o seu pensamento vai para “todos aqueles que perderam seus [entes] queridos” e transmitiu “solidariedade, neste momento de grande tristeza” para com as famílias e vítimas “deste drama”.

“Vemos que o incêndio ainda está por controlar e o incansável, corajoso trabalho de todas as corporações de bombeiros mobilizadas, mas que não são suficientes, e é uma tragédia nacional”, afirma a empresária.

Recorde-se que, entre muitas outras entidades mesmo que não eméritas, o Papa Francisco manifestou hoje a sua solidariedade às vítimas do “devastador incêndio” que deflagrou no concelho de Pedrógão Grande.

“Manifesto a minha proximidade ao querido povo português pelo devastador incêndio que está a atingir as florestas à volta de Pedrógão Grande, causando numerosas vítimas e feridos”, disse o Papa perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação da oração do ângelus.

Francisco pediu depois que todos rezassem “em silêncio” pelos que foram atingidos por esta tragédia.

Em Portugal, o Conselho de Ministros aprovou hoje o Decreto que declara luto nacional nos dias 18, 19 e 20 de Junho, “pelas vítimas do incêndio que deflagrou no Município de Pedrógão Grande e afectou vários concelhos” portugueses, “provocando a perda irreparável de vidas humanas”.

Recorde-se que o combate ao incêndio de Pedrógão Grande (Leiria) foi esta tarde reforçado com mais operacionais, segundo a Protecção Civil, que tem no teatro de operações 870 operacionais, 268 viaturas e dez meios aéreos, alguns dos quais idos de Espanha e França.

O fogo, que causou pelo menos 61 mortos e mais de 50 feridos, deflagrou ao início da tarde de sábado numa área florestal em Escalos Fundeiros, Pedrógão Grande, e alastrou aos municípios vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, obrigando a evacuar povoações ou deixando-as isoladas.

Foto: Rui Oliveira/Global Imagens/JN

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