ANGOLA. Os funcionários da Procuradoria-Geral da República (PGR) angolana decidem sábado se avançam ou não para a greve, devido à falta de “transparência e coerência nas negociações” que duram há 60 dias, anunciou hoje o sindicato.

O anúncio foi feito hoje pelo secretário-geral do Sindicato Nacional dos Técnicos de Justiça e Administrativos da Procuradoria-Geral da República de Angola, Elias Pinto, lamentando o silêncio da direcção do Ministério Público angolano face às reclamações dos funcionários.

Segundo o sindicalista, a decisão ou não da greve sairá no sábado, durante uma assembleia extraordinária dos funcionários, que se manifestam “descontentes” com a posição do Procurador-Geral da República de Angola, João Maria de Sousa.

“Depois daquela solicitação de oito dias, no mês de Abril, a direcção ficou sempre em silêncio. Então, ultimamente, quando remetemos o documento a pedir a realização da assembleia-geral ele ficou uma semana sem se pronunciar e agora quer dialogar, porque convocamos a assembleia”, disse.

No encontro de sábado, os funcionários da PGR vão analisar entre outros pontos, a moção de greve, a transição do regime jurídico e das promoções, “o que nunca se operou há mais de 15 anos” e ainda a situação de funcionários licenciados, que há mais de 20 anos continuam a trabalhar no sector da limpeza.

“A situação é preocupante, não há de facto transparência dos oito dias solicitados, demos quase mais de 60 dias, então de 27 de Abril, que os documentos entraram no executivo até 30 de Junho, realmente não há indícios de nada, com respostas vagas por parte do executivo”, referiu.

Em Abril foi notícia que os funcionários do Ministério Público angolano tinham anunciado para 17 de Abril uma greve, no entanto, suspensa no quadro das negociações com o patronato para reivindicar melhores de condições de trabalho, entre elas aumento salarial, promoção e reconversão de categorias e subsídios de risco.

Na ocasião, a PGR angolana considerou ilegal a greve, convocada pelo sindicato de trabalhadores do Ministério Público, mas admitiu que as preocupações levantadas existem e que as soluções dependem do Governo, numa tomada de posição manifestada à Lusa pela procuradora e directora do gabinete de intercâmbio e cooperação internacional da Procuradoria, Eduarda Rodrigues.

Lusa

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