A Fábrica de Cimento do Kwanza Sul (FCKS), que alegou falta de fornecimento de combustíveis pela petrolífera estatal Sonangol para paralisar a produção, prevê a retoma da laboração até Dezembro, após intervenção do Governo.

A informação consta de um comunicado da FCKS, em resposta à posição oficial transmitida na sexta-feira pela Sonangol, que desmentiu ter suspendido o abastecimento de combustível aquela fábrica que funciona na província do Cuanza Sul desde 2014, cuja paralisação total, desde 1 de Novembro, afecta mais de 900 trabalhadores.

“Actualmente, a FCKS está em negociações amigáveis e construtivas com o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos e o Ministério da Construção, com vista à retoma do abastecimento do combustível HFO [Heavy Fuel Oil]. Esses encontros têm sido de tal modo frutíferos que perspectivamos o re-arranque das operações num prazo de 50 dias, necessário para a remobilização do pessoal expatriado”, refere o comunicado da cimenteira.

Na posição da FCKS, a Direcção daquela fábrica diz-se “profundamente surpresa com o comunicado da Sonangol”, por se tratar de uma “empresa pública de vanguarda que representa as cores e a bandeira da república de Angola”.

“A FCKS não veio a público expor a Sonangol pelo facto de ter elevado os preços de HFO de 25 para 50 Akz/Kg após seis meses do início das operações da fábrica e num espaço de quatro meses ter aumentado para 91 Akz/Kg”, lê-se no comunicado da cimenteira.

A empresa responsabiliza esta “especulação do preço de combustível” como estando na origem da “degeneração da condição financeira” e “na subsequente suspensão do abastecimento do combustível”, que se arrasta desde 2016.

Na sexta-feira, em comunicado (conforme o Folha 8 noticiou), a Sonangol negou que tenha suspendido, em qualquer altura, o fornecimento àquela cimenteira, na província do Cuanza Sul, sublinhando que “não houve nenhuma decisão” para se parar com o abastecimento a “qualquer outra fábrica de cimento a operar em Angola”.

“O que acontece, especificamente, em relação à FCKS, é que esta empresa não dispõe de infra-estruturas próprias de armazenamento, para receber e fazer logística de distribuição do ‘Fuel Oil'”, refere a nota.

Contudo, estas críticas são igualmente negadas pela fábrica: “A cimenteira é dotada de um complexo industrial de tecnologia de ponta e dentre as várias unidades possui ainda um tanque de armazenamento de combustível com capacidade de 10.000 toneladas. Saliente-se que esta quantidade de combustível tem uma autonomia para cerca de 22 dias de produção”.

Cerca de 900 trabalhadores daquela fábrica foram dispensados na quarta-feira devido à paralisação dos trabalhos naquela unidade fabril, por falta de fornecimento de combustível.

A Administração da fábrica fez saber que a situação afecta ainda 700 postos de trabalho indirectos, sendo que a única actividade que será mantida, visa a conclusão da venda de um ‘stock’ de 13 mil toneladas de cimento, por parte do departamento comercial.

Já a Sonangol, empresa pública liderada por Isabel dos Santos, sublinhou a situação operacional da FCKS coloca em risco a chegada de combustível à zona da fábrica, comprometendo todo o processo produtivo, nomeadamente a produção do clínquer, matéria-prima para o fabrico do cimento.

Na sua posição, a Sonangol revela que a FCKS, construída em 2010 e cuja totalidade da obra, que ascendeu o valor de 750 milhões de dólares (632,8 milhões de euros), foi toda financiada pela petrolífera angolana, valor que se encontra “totalmente em dívida”, acrescido ainda de juros, no valor de 54 milhões de dólares (45,9 milhões de euros), que não foi reembolsada, até a data, nenhuma das prestações já vencidas.

Contudo, a FCKS afirma que a construção daquela fábrica “beneficiou de financiamento internacional, que foi intermediado pela Sonangol”, facto que por “respeito à confidencialidade contratual” não tinha sido divulgado pela empresa.

“Porém, a Sonangol informou à FCKS, em 2014, que havia passado a dívida para o Estado. Por conseguinte, a Sonangol não mais é credora da FCKS”, clarifica a cimenteira.

Para a administração da fábrica, o compromisso actual é “no sentido de voltar a ter o normal abastecimento e manter o preço a níveis aceitáveis”, apesar das subidas que se registam actualmente no mercado.

Folha 8 com Lusa

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