Em algumas províncias rurais angolanas as mulheres chegam a ter pelo menos oito filhos, com intervalos entre partos que chegam a ser de um ano, conclui o relatório final do Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde (IIMS) 2015/2016. O mesmo estudo revela que 22 em cada 100 mulheres assume viver numa união polígama, com um homem e várias companheiras.

Numa análise à situação das mulheres com idades entre os 15 e os 49 anos, o estudo, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano em conjunto com o Ministério da Saúde, refere que a taxa global de fecundidade em Angola é de 6,2 filhos por mulher, sendo mais elevada nas áreas rurais (8,2) do que nas áreas urbanas (5,3).

Ou seja, em média, as mulheres que vivem nas áreas rurais têm mais três filhos do que as mulheres das áreas urbanas. A taxa global de fecundidade varia de 4,5 filhos em Luanda, a capital angolana, para 8,6 filhos na província do Bié, no centro do país.

Além disso, o IIMS, que teve a assistência técnica do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), conclui que o intervalo médio entre nascimentos aumenta acentuadamente com a idade, de 24,9 meses entre as mães de 15 aos 19 anos, para 36,1 meses entre as mulheres de 40 a 49 anos.

Já à medida que o nível de escolaridade e socioeconómico aumenta, a taxa de fecundidade diminui. Nas camadas sócio-económicas mais baixas, o estudo refere que o intervalo entre partos chega a ser, em média, de apenas 11,5 meses.

“Adiar os primeiros nascimentos e alargar o intervalo entre os partos contribuíram para a redução dos níveis de fecundidade em muitos países. Em contrapartida, os intervalos curtos entre os partos, menos de 24 meses, podem conduzir a graves consequências para as mães e os recém-nascidos, tais como partos prematuros, peso baixo à nascença e mortes”, admite o estudo, nas suas conclusões.

Em Angola, uma em cada três mulheres teve o primeiro parto antes dos 18 anos e mais de metade (55%) teve o primeiro parto antes dos 20 anos.

“A procriação em tenra idade está igualmente associada a riscos e ao aumento de complicações durante a gravidez e no parto, o que perfaz taxas mais elevadas de mortalidade neonatal”, sublinha o estudo.

Por outro lado, um total de 22 em cada 100 mulheres angolanas assume viver numa união polígama, com um homem e várias companheiras, fenómeno que se verifica sobretudo nas áreas rurais.

De acordo com os dados do estudo, a relação polígama é mais assumida pelas mulheres (22%), enquanto apenas 8% dos homens “declararam ter duas esposas ou mais”.

“À medida que o nível socioeconómico aumenta, diminui a poligamia”, reconhece o IIMS, acrescentando que a percentagem de mulheres “com uma ou mais co-esposas aumenta com a idade”. Varia de 9% entre as mulheres de 15 a 19 anos e 33% entre as mulheres de 45 a 49 anos.

Além disso, a percentagem de mulheres com, pelo menos, uma co-esposa é maior nas áreas rurais (29%) do que nas áreas urbanas (18%) e as mulheres com menor nível de escolaridade “são mais propensas a ter co-esposas”, já que 28% das que declararam não ter escolaridade assumiram ter uma ou mais co-esposas, contra 13% das mulheres com nível secundário ou superior.

O estudo reconhece igualmente que a percentagem de mulheres em uniões poligâmicas varia consoante a província, sendo mais baixa em Luanda (14%) e na Lunda Norte (13%), e mais elevada no Cuanza Norte (42%).

No caso dos homens, o IIMS aponta que o número de esposas “aumenta com a idade”, ou seja, varia de 2% nos homens de 20 a 24 anos, para 14% entre os 45 e os 49 anos.

Os resultados do IIMS 2015/2016 mostram que 55% das mulheres e 48% dos homens, entre os 15 e os 49 anos, são casados ou vivem em união de facto. Por outro lado, 92% dos homens casados ou em união de facto declararam ter apenas uma esposa e 8% declararam ter duas esposas ou mais.

Em média, as mulheres angolanas têm a primeira relação sexual aos 16,6 anos, enquanto os homens aos 16,4 anos.

Folha 8 com Lusa

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