Os escândalos sucedem-se, tal como as denúncias contra um regime cada vez mais cleptocrático, dominado por uma falange identitária do MPLA, que açambarca tudo e todos, na base das finanças públicas, por eles controladas, se confundir com o quintal privado da mãe Joana.

Por William Tonet

A tese dantesca das gangs do farowest era: “roubar é o melhor remédio”, hoje assenta que nem uma luva, nos membros desta família ideológica, apontada sempre, em qualquer relatório nacional ou internacional, de apossamento ilícito de bens do erário público, roubo de milhões e milhões, nepotismo e corrupção, com a mais ampla cobertura de imunidade e impunidade, com base na inversão de um slogan, ajustado de: “roubar é um dever revolucionário”…

A máquina do Estado, nas mãos de determinados dirigentes (não de todos) do MPLA desde 1975, para desgraça colectiva, nunca exerceu um papel público. Pelo contrário, converteu-se, desde o início: ideologia comunista e, depois, capitalista-fascista, num monstro pior do que o colonialista português Oliveira Salazar, contra os legítimos interesses da maioria dos autóctones angolanos.

Aqui chegados, muitos se intrigam, até mesmo no seio do partido que sustenta o regime, como foi possível este pequeno grupo, ter chegado tão longe na institucionalização do “dano financeiro” e “dolo jurídico” repugnante e condenável, em qualquer latitude…, mas com passadeira vermelha em Angola…

Infelizmente, para desgraça colectiva, uns encontram desculpas na ambição desmedida deste grupo de dirigentes que assaltou o poder. Nada de mais errado. Fosse só a ambição, esta seria domada, controlada e, num dado momento, poderia, ante a reprovação silenciosa do colectivo, fazer-se uma inversão. Acontece, porém, estarmos diante de um grupo maquiavélico, com raízes internacionais, cuja acção interna, conta com a cumplicidade dos órgãos policiais, militares, da Segurança do Estado, da comunicação social, principalmente, à pública e, mais grave, do sistema judicial.

Quando um sistema judicial e judiciário, se coloca ostensivamente ao lado, de quem comete monstruosidades, como ROUBO do erário público; assassinatos de opositores e inocentes; esbulho de terras das populações pobres, repressão de manifestações pacíficas, demonstra claramente ter colocado o Direito na mesma pocilga.

Daí a podridão do sistema de Justiça, face, também, ao comprometimento doloso, de uma maioria de juízes, que se deleita na piscina da corrupção.

Por esta razão, quando assisto a acusações contra alguns dirigentes angolanos, no interior e exterior, não me entusiasmo, no imediato, mas na presença dos contornos da trama e do silêncio de quem de direito, não posso deixar de me indignar e quase acreditar serem verdadeiras as suspeições contra, Eduardo dos Santos, Manuel Vicente, Isabel dos Santos, Hélder Vieira Dias Kopelipa, Leopoldino Fragoso do Nascimento Dino, Zenu dos Santos e companhia, por não se defenderem com explicações plausíveis, preferindo demonstrar falta de higiene intelectual, escondendo a forma como enriqueceram, milionária e bilionariamente, em tão pouco tempo.

Os números apontados de 750 milhões a mais de 3 mil milhões de dólares, trafegados em malas e sacolas entre Angola, Dubai, Europa e paraísos fiscais, não cabem na registadora mental de nenhum cidadão honesto, daí a suspeição e convencimento de descaminho de dinheiro público, mais a mais, quando os lesados se enchem de soberba, não provando o contrário, com factos credíveis.

Como homem amante da justiça, defendo não se dever afastar, nem mesmo do “prevaricador intermitente” ou criminoso de colarinho branco, um princípio sagrado do Direito: a presunção de inocência, até trânsito em julgado… mas depois daí… a mesma receita que têm aplicado ao longo de 41 anos aos outros.

Isso, porque se os suspeitos e acusados preferem, hoje, continuar escudados no poderio militar, ofendendo a inteligência e tolerância dos cidadãos, desfilando impunidade do tipo: “posso e mando”, não podem, amanhã, na virada dos ventos, apelar à tolerância da maioria maltratada.

Finalmente, não podemos continuar silenciosos, com medo do sadismo destes homens, quais vampiros, que espancam brutalmente, lançam adversários aos jacarés, roubam descaradamente e assassinam sem piedade, por a MÃE Angola clamar de todos (principalmente da sociedade civil, uma vez haver medo da oposição política), nesta hora de saque total, o levantar de vozes, porque Deus, só nos faltará, se continuarmos covardes diante da gang que grangrena o país.

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