O ministro da Defesa Nacional, Salviano de Jesus Sequeira ”Kianda”, garantiu hoje, na região da Funda (Cacuaco), que o seu ministério vai dar continuidade ao processo de modernização das Forças Armadas Angolanas (FAA), de forma a dotá-las de capacidade de intervenção nos espaços sob sua responsabilidade. Disso ninguém, nem sequer os nossos 20 milhões de pobres, tem dúvidas.

O titular da pasta da Defesa, que falava na cerimónia da celebração do 26º aniversário criação das FAA que hoje se assinala, acrescentou que estas tarefas devem ser complementadas com a construção e reabilitação de quartéis e infra-estruturas de acomodação das tropas.

Mas, diz o ministro, outros esforços irão juntar-se ao processo de criação de indústrias de defesa, de forma a reduzir a dependência externa no fornecimento de bens e serviços essenciais às FAA.

Isto, acrescentou, “no sentido de permitir também a atracção de militares fora do activo, quer por limitação de tempo, como por limitações físicas, assim como de jovens provenientes dos diferentes cursos nas instituições académicas”.

O general “Kianda” ressaltou que hoje, além das missões consagradas na Constituição, colocam-se igualmente outros desafios, aliados aos compromissos internacionais, como as missões de apoio à paz e, a nível interno, de apoio às populações em situações de emergência e catástrofes naturais, o combate ao terrorismo e à imigração ilegal, o que exige que estas sejam bem treinadas e equipadas.

Neste sentido, exortou as unidades, estabelecimentos e outros órgãos militares no sentido de se transformarem em verdadeiras escolas, onde seja relançada a necessidade do domínio dos meios e equipamentos colocados à disposição dos militares, tirando deles o melhor rendimento.

O ministro lembrou, por outro lado, que as unidade militares são um bem comum e com missões específicas, em que os seus comandantes devem estar sempre preocupados com o empenho dos seus efectivos, sabendo aproveitar as divergências de pensamento para o engrandecimento das mesmas e nunca o fracasso.

Dirigindo-se aos comandantes, salientou que o progresso na carreira militar, associado à vida pessoal, não pode ser prejudicado por atitudes negativas relacionadas com a má gestão, desleixo e falta de preocupação com o pessoal sob o seu comando e chefia.

Com vista a banir e prevenir a ocorrência de más práticas que mancham o bom nome das FAA, será reforçada a vigilância, controlo e a inspecção, de modo a aferir o cumprimento rigoroso das normas legais e a punição daqueles que insistirem em actuar à margem da lei.

O general referiu igualmente que o seu ministério irá empenhar-se na actualização do pacote legislativo e submetê-lo à aprovação de quem de direito, pois com estes instrumentos haverá a possibilidade de se corrigir as assimetrias, injustiças e, inclusive, atitudes que têm vindo a prejudicar a organização, funcionamento e a disciplina no seio das FAA e, concomitantemente, a imagem desta relativamente à sociedade civil.

O ministro da Defesa destacou ainda a importância de se aproveitar actual momento de paz que o país vive para que as FAA se empenhem, doravante, na preparação combativa operativa, técnica e científica, bem como apostar na realização e participação em exercícios de operações de manutenção de paz.

Preparados para tudo?

O ministro da Defesa Nacional, Salviano de Jesus Sequeira ”Kianda”, sabe de fonte limpa e até por experiência própria que as FAA estão preparadas para tudo.

Certamente que se recorda de ouvir o chefe do Estado Maior General das FAA, general Geraldo Sachipengo Nunda, garantir u no Dundo, província da Lunda Norte (Outubro de 2014), que as Forças Armadas estavam preparadas para situações de vírus Ébola caso venha a registar-se no país.

Não restam, por isso, dúvidas. As FAA estão preparadas para tudo, seja para acções militares propriamente ditas, interna e externamente, para fazer a educação patriótica dos cidadãos, para ter uma imprensa militar ao melhor nível e até, como agora foi reiterado, para combater o Ébola.

O general Nunda, que falava à imprensa no termo da sua visita ao Quartel da 32ª Brigada, afirmou que os órgãos de saúde das FAA em coordenação com o Ministério da Saúde levam a cabo acções viradas para prevenção e combate a possíveis casos de surgimento de doenças.

Explicou que os serviços de saúde militar das unidades a todos os níveis foram equipados com material de biossegurança e os especialistas receberam a formação para lidar com a situação.

“Foram adquiridos os equipamentos para a prevenção de casos de Ébola, e já foi feita a formação ao nível central, com todos os chefes das unidades que se subordinam a divisão. Portanto, as FAA estão preparadas nos seus diversos níveis desde a direcção da saúde, centros de saúde ao nível das Regiões Militares, Divisões e Brigadas para podermos fazer face as situações de ébola se porventura acontecerem,” concluiu.

O chefe do Estado Maior General das FAA, acompanhado pelo então comandante do Exército, general Lúcio Amaral, no âmbito do seu programa de visitas de constatação e auscultação às unidades militares, esteve igualmente no município do Cuango onde se inteirou – o que é sempre vital em situações de paz – do estado de ânimo das tropas.

O MPLA do regime (superiormente presidido por José Eduardo dos Santos), bem como o regime do MPLA (superiormente dirigido por funções delegadas por João Lourenço) devem, por isso, estar orgulhoso das suas Forças Armadas.

Há muito que Geraldo Sachipengo Nunda mostra que lhe está grato ao MPLA. Uma das provas disso foi dada quando, no mais elevado respeito pelas regras basilares de um Estado de Direito, o Chefe do Estado-Maior das FAA afirmou em plena campanha eleitoral de 2012, que um dos candidatos – no caso Eduardo dos Santos – marcou a sua postura “por momentos de sacrifício e glória”, permitindo “a Angola preservar a independência e soberania nacionais, a consolidação da paz, o aprofundamento da democracia, a unidade e reconciliação entre os angolanos, a reconstrução do país, bem como a estabilidade em África e em particular nas regiões Austral e Central do continente”.

E assim, ou não fosse Angola um Estado de Direito, o general Geraldo Sachipengo Nunda resolveu fazer campanha em prol de um dos candidatos. Esta é a diferença que faz Angola ser um paradigma da mais avançada democracia do mundo, como certamente também reconhece agora o ministro Salviano de Jesus Sequeira ”Kianda”.

É, aliás, admirável a forma como os militares angolanos estão sempre a falar da necessidade da preservação da paz (já cimentada há 15 anos), da Constituição e do culto aos dois únicos heróis de Angola, quiçá de África e do mundo, Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos.

“A reconstrução nacional tem permitido a normalização da vida em todo o território nacional”, diz Geraldo Sachipengo Nunda, acrescentando que existem sinais visíveis de um país que renasce após longos anos de guerra.

Que a guerra em Angola, como qualquer outra, deu cabo do país é uma verdade incontestável. Também é verdade que o país está a crescer, embora esse crescimento só esteja a ser feito para um dos lados (para aquele que está com o regime).

Talvez não fosse mau saber se Salviano de Jesus Sequeira ”Kianda” sabe que existe uma Angola profunda e nela um Povo que é gerado com fome, nasce com fome e morre pouco depois com fome?

Será Salviano de Jesus Sequeira ”Kianda” se esqueceu que o MPLA considera um crime contra o Estado ter opiniões diferentes das oficiais? Ou que em Angola uns poucos têm muitos milhões, e muitos milhões não têm nada?

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