O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA) garantiu a segurança das fronteiras do país, mas admitiu confrontos entre forças de defesa nacional e grupos rebeldes da República Democrática do Congo (RD Congo).

Geraldo Sachipengo Nunda falava hoje à imprensa, à margem da reunião conjunta dos Chefes de Estado-Maior General das Forças Armadas da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL) e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que decorre em Luanda.

“Não há perigo do ponto de vista militar. As forças todas, tanto as FAA, a Polícia Nacional, os outros órgãos de segurança nacional, todos estão prontos para poderem garantir que haja estabilidade”, referiu.

A preocupação que há, segundo Geraldo Sachipengo Nunda, é com o “elevado número de refugiados”, que se aproximam dos 30.000 na região do Dundo, na província da Lunda Norte, provenientes da região do Kasai, no centro da RD Congo.

O chefe do Estado-Maior General disse que Angola está vigilante para que não haja invasão do seu território pelas forças rebeldes da RD Congo, realçando que “não há qualquer sinal desse tipo”.

“Com os rebeldes houve várias acções, os rebeldes tentaram atacar as nossas posições ao longo da fronteira e foram, como é normal, derrotados, porque eles são milícias, não têm uma preparação militar muito efectiva. As armas que utilizam são muito rudimentares, além de algumas, poucas, armas automáticas”, disse, sem avançar em que período ocorreram os factos.

Acrescentou que naquela altura as forças rebeldes “tiveram a resposta adequada”, realçando igualmente os esforços das autoridades congolesas para a reposição da segurança.

Geraldo Sachipendo Nunda avançou que nesses confrontos não houve baixas a registar da parte das Forças Armadas angolanas nem da Polícia Nacional e sobre a parte das milícias não tem “números exactos”.

Durante a sua intervenção na abertura da reunião, Geraldo Sachipengo Nunda referiu que a situação vigente no leste da RD Congo continua a ser o tema principal a abordar no encontro, para que se encontrem soluções adequadas aos problemas existentes.

No discurso de abertura, o secretário de Estado para a Política de Defesa Nacional do Ministério da Defesa de Angola, Gaspar Rufino, sublinhou a urgente necessidade de se erradicar “os conflitos e todos os males” que continuam a causar enorme sofrimento a milhares de populações africanas.

“Além de ser um factor negativo para o crescimento e desenvolvimento do continente” salientou, apelando às chefias militares reunidas “esforços conjugados” para analisar a actual realidade que alguns dos países vivem.

A situação da RD Congo mereceu já análise em Maio, em Luanda, numa reunião de dois dias dos Ministros da Defesa da CIRGL, antecedida da de Chefes de Estado-Maior, em que foi discutida a segurança na região dos Grandes Lagos.

Angola preside actualmente à CIRGL, organização integrada ainda pelo Burundi, Congo, Quénia, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia.

A SADC é integrada por Angola, África do Sul, Botsuana, Lesoto, Moçambique, Madagáscar, Malaui, Namíbia, Ilhas Maurícias, Ilhas Seicheles, República Democrática do Congo, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué.

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