Os enfermeiros de Luanda ameaçam “paralisar a qualquer momento”, caso as autoridades não resolvam as reivindicações que datam de 2012, como o pagamento de retroactivos, de subsídios de consulta e a promoção do pessoal, informou hoje o sindicato do sector.

O secretário-geral adjunto do Sindicato dos Enfermeiros de Luanda, António Kileba, afirmou existir “má-fé” por parte do gabinete provincial de Saúde e do governo de Luanda na resolução das inquietações”, na sequência das negociações após a suspensão da greve prevista para Maio.

“Com documentos assinados e com prazos estabelecidos, quando não se cumpre o que foi acordado, estamos em crer que não vai restar-nos mais nada se não accionarmos a lei da greve para fazer valer os seus anseios”, disse.

Segundo o sindicalista, depois da suspensão da greve em Maio, no quadro das negociações com o governo provincial de Luanda, foram criadas duas comissões técnicas, para levantamento de todo pessoal com retroactivos em atraso e outra para apurar os subsídios de consulta em atraso.

“Este processo terminou no dia 10 de Agosto, concluímos o processo, mas a outra comissão, que é a de subsídios daqueles profissionais que fazem consulta nos hospitais e centros de saúde onde não há médicos, até aqui não reuniu, não por falta de tempo, mas sim por má-fé por parte do gabinete provincial de Saúde e do governo da província”, explicou.

A defesa da carreira de enfermagem, a falta de promoção destes profissionais e ainda o envelhecimento de quadros do sector são outras preocupações que, segundo António Kileba, preocupam os cerca de 7.000 enfermeiros de Luanda.

“A nível do sindicato, queríamos que esta situação estivesse já resolvida. A paciência dos profissionais está no fim e doravante vamos esperar pela resolução ou então accionarmos a greve”, disse.

Ainda assim, António Kileba disse esperar por uma “nova acutilância” do novo executivo empossado no sábado, incluindo o novo governo provincial de Luanda, “sobretudo no sector da Saúde, com meios hospitalares e medicamentos à altura”, de forma a evitar “os grandes males que ainda enfermam o sector”.

Recorde-se que no dia 8 de Maio o Sindicato dos Enfermeiros de Luanda decidiu suspender a greve prevista para aquele dia após receber garantias do Governo que ia solucionar, até Agosto, reivindicações.

A informação foi avançada na altura por António Kileba, lembrando que caso não houvesse respostas plausíveis do governo de Luanda, até Agosto, “os enfermeiros entrarão em greve até à satisfação de todas reivindicações”, abrangendo um total de 6.000 técnicos.

“Daí a razão da motivação desse processo reivindicativo, que culminou então no dia 3 de Maio, com uma possível negociação, onde o governo assumiu as culpas de não ter pago antes e respondido às nossas preocupações, assumindo terminar com este processo até ao mês de Agosto, pagando os retroactivos”, disse.

De acordo com o sindicalista, a predisposição do governo de Luanda em resolver as reivindicações dos técnicos de enfermagem da capital angolana, foi manifestada durante uma reunião que o sindicato manteve com o vice-governador da província, tão logo as autoridades tomaram conhecimento da greve.

“O comunicado de greve foi entregue ao governo no dia 2 de Maio e no dia seguinte o governo convocou o sindicato para um possível diálogo, o que nós, do ponto de vista sindical, julgamos extemporâneo, porque num período de cinco anos o governo não conseguiu resolver a situação”, explicou.

O Sindicato dos Enfermeiros de Luanda diz aguardar desde 2012 pelas respostas dos 12 pontos que constam do caderno reivindicativo remetido ao governo da província de Luanda, para o “pagamento de retroactivos, acertos de categorias, ajuste salarial e pagamento de subsídios”.

Segundo António Kileba, apenas “foi resolvida, pela metade, o pagamento de retroactivos”, sendo que “o pagamento de um adicional de 40% ao salário base dos enfermeiros técnicos médios, que trabalham em localidades onde não existe um médico, e 60% aos técnicos básicos” continuam até ao momento “sem respostas do governo”.

Adriano Mendes de Carvalho é desde sábado o novo governador da província de Luanda, indicado pelo Presidente angolano, João Lourenço, para substituir o general Higino Carneiro, agora segundo vice-presidente do Parlamento angolano.

Folha 8 com Lusa

Partilhe este Artigo