O presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, que se encontra em tratamento de revisão médica, em Barcelona, Reino de Espanha, parece cada vez mais agastado com as notícias saídas a público sobre o alegado fraco desempenho profissional de dois dos seus filhos, nomeadamente Filomeno dos Santos e Isabel dos Santos, à frente do Fundo Soberano e da Sonangol, respectivamente

A mais recente denuncia do “Paradise Papers” (que o Folha 8 noticiou e analisou), destacando suspeições sobre gestão danosa, doloso e desvio de fundos das receitas do Fundo Soberano, terá feito entornar o copo da paciência e o desabafo dorido e revoltado do pai.

“Não fui eu que sugeri as suas indicações, pois foram camaradas da direcção do partido e do executivo que trouxeram as propostas dos seus nomes, mas, agora, ninguém quer assumir e, todos me apontam o dedo como o único responsável, pelo fraco desempenho ou teimosia, por ser pai e ex-presidente da República”, lamentou José Eduardo dos Santos, segundo uma fonte do F8.

Com base nesse avolumar de lamúrias, Dos Santos terá chamado os filhos para um encontro onde irá sugerir que apresentem a demissão a João Manuel Gonçalves Lourenço a quem, também, pretende, previamente, dar-lhe conta desta situação. Caso isso venha a acontecer, será um cheque em branco para o actual presidente da República, pois poderá tirar uma bota do sapato, sem criar recalcamentos à imagem e, inclusive, ao desempenho ao ainda seu líder partidário.

A falta de combustível no país, mais concretamente, gasolina e gás butano, depois de Isabel dos Santos ser a Presidente do Conselho de Administração, tendo lá instalado um séquito de técnicos portugueses, indianos, ingleses e americanos, nunca visto antes, não têm conseguido, mau grado a PCA da Sonangol os ter apresentado como sendo a fina-flor da competência, inverter o quadro.

Noutro extremo, tem-se o alto custo do cimento, fabricado e comercializado pela Cimangola, empresa pública, mas transferida para a gestão de uma empresa de Isabel dos Santos e para o marido, que deveria ser a bandeira para – entre outras valências potenciadoras da nossa tao carente economia – a prometida construção de um milhão de casas, mas tem estado a ser um entrave à construção e ao dinamismo do sector.

O caso mais recente da falta de provisão expectável do Fundo Soberano, gerido por Filomeno dos Santos, com a denúncia de os 5 mil milhões (vulgo biliões) de dólares, terem sido mal investidos, aliado ao facto da gestão estar a ser feita por um sócio, amigo e mentor, Jean Claude Bastos de Morais e uma empresa em que Filomeno dos Santos é sócio; a Quantum Global.

O estranho é estar, um Fundo Soberano de Angola (criado em 2012), nas mãos de um homem condenado, no dia 13 de Julho de 2011, pelo Tribunal Penal de Zug, por alegada sonegação fiscal, pagamentos ilegais, burla e desvio de fundos de uma sociedade, segundo denúncias das autoridades suíças.

Mais grave ainda, desde 2014 o homem tem uma choruda percentagem sobre o trabalho de guardar o dinheiro de Angola, investindo mais de metade, três mil milhões de dólares, em sete fundos de investimento nas Ilhas Maurícias, ganhando desta forma duas vezes; como gestor (desde 2014), uma comissão pelos serviços entre 2 a 2,5 % do capital anual, significando lucros anuais entre 70 a 80 milhões, desde 2015, mas ainda tem mais, pois a Quantum Global, receberá, segundo a nossa fonte, cerca de 3% anualmente.

É por estas e outras situações, bem conhecidas pelo menos no círculo restrito do ex-Presidente, que José Eduardo dos Santos do pedestal da sua autoridade, ainda em Barcelona, caso seja possível, reunirá com os filhos para lhes sugerir (falta saber se, nesta altura, uma sugestão de Dos Santos é só isso ou é mesmo uma ordem) que apresentem, nos próximos tempos, portanto, antes do fim dos respectivos mandatos, demissão dos cargos, que ocupam no Fundo Soberano e na Sonangol.

“Ele tem andado muito triste, pois acredita ter ajudado muitos camaradas e agora, como as coisas não dão certo, todos estão a apunhalá-lo pelas costas, como se fosse o único responsável pela crise que o país atravessa, como se fosse o único corrupto, o único que os filhos gerem empresas e que mais ninguém enriqueceu com a sua ajuda”, assegura a nossa fonte, concluindo, “acredito que muitas coisas o camarada José Eduardo ainda possa surpreender como líder do partido, com mandato até 2022, eleito pelos militantes, no congresso, já contra a sua vontade, em 2016, pois é preciso que a verdade seja contada e todos saibam, que o único a acreditar e indicar o camarada João Lourenço, na reunião do comité central, contra surpresa geral, foi o presidente José Eduardo dos Santos, que deve reestruturar o partido para novos desafios, de agora, liderar a reforma da constituição e dos estatutos do partido, para nos adaptarmos aos novos tempos”.

José Eduardo dos Santos estará agora, perante este contexto, a rememorar o que durante décadas, mas sobretudo nos últimos anos, lhe era dito por alguns militantes mas também por gente fora do MPLA. Ou seja, que em vez de aceitar ser salvo pela crítica, preferiu ser assassinado pela bajulação.

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