O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, estabeleceu hoje a criação de um mercado de arte e cultura lusófono e a mobilidade de pessoas como prioridades da presidência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que Cabo Verde assume em 2018.

“Cabo Verde irá assumir a presidência da CPLP no próximo ano e temos uma agenda muito clara relativamente à área da cultura. Uma das prioridades é criar um mercado comum de arte e cultura no espaço da CPLP”, disse Ulisses Correia e Silva.

O chefe do Governo cabo-verdiano falava hoje, na cidade da Praia, no encerramento do VII Encontro de Escritores da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) que, durante três dias, reuniu em Cabo Verde cerca de duas dezenas de escritores dos países lusófonos.

“Esse mercado comum tem uma única valência que o liga, que é a língua, a expressão da nossa cultura, de histórias comuns, de tradições, de nos entendermos naturalmente. A ver se conseguimos criar de facto um espaço de mobilidade de tudo o que é arte e cultura sem fronteiras entre nós”, acrescentou.

A outra prioridade, apontou o primeiro-ministro cabo-verdiano, é a livre circulação de pessoas.

“É preciso dar expressão de facto ao espaço lusófono e essa expressão faz-se pela mobilidade cultural e pela mobilidade das pessoas. Esta é uma agenda que queremos levar concertada para que possa ser concretizada”, reforçou.

Ulisses Correia e Silva disse ainda ser prioritária “uma forte diplomacia cultural” ao nível da CPLP.

Este foi o segundo ano consecutivo em que a UCCLA realizou o seu encontro de escritores na capital cabo-verdiana, que passará a ser a sede destes encontros nos próximos três anos, ao abrigo de um protocolo rubricado hoje entre a organização e a autarquia da cidade da Praia.

O encontro de escritores, que reuniu também cineastas como António Pedro Vasconcelos e jornalistas como Diana Andringa, explorou, este ano a relação entre a literatura, os órgãos de comunicação social e as plataformas digitais.

Recorde-se que já na Declaração Constitutiva da CPLP (1996), os Chefes de Estado e de Governo consideraram que a consolidação da realidade cultural nacional a plurinacional que confere identidade própria aos Países de Língua Oficial Portuguesa constitui um imperativo, reflectindo o relacionamento especial existente entre eles e a experiência acumulada em anos de profícua concertação e cooperação.

A cultura está no centro dos debates contemporâneos sobre a identidade, a coesão social e o respeito pela diversidade cultural, sendo crescente importância que assume nas relações de cooperação e de intercâmbio, fundadas no interconhecimento e compreensão recíproca entre os homens.

A multiplicidade das formas de expressão da cultura dos povos dos Estados Membros da CPLP configuram uma perspectiva que requer uma cooperação multilateral harmoniosa, visando garantir a inclusão e a participação de todos os cidadãos.

Os povos representados na CPLP partilham de uma herança histórica, cultural e linguística que os une, feita de um percurso comum de vários séculos, que originou um património material e imaterial que urge preservar, valorizar e difundir. Tal património, tanto no que tem de comum, quanto na sua diversidade, tem potencial decisivo para o aprofundamento das relações entre os cidadãos dos Estados Membros, bem como para a afirmação da CPLP no contexto internacional. Na CPLP, a Cooperação Cultural Multilateral é um princípio fundamental.

Desde 2000 os ministros da Cultura da CPLP vêm produzindo recomendações sobre diversos temas que conformam os eixos estratégicos de cooperação cultural multilateral (I Reunião de Ministros da Cultura, Estoril, 2000; II Reunião de Ministros da Cultura, Rio de Janeiro, 2001; V Reunião de Ministros da Cultura da CPLP, Bissau, 2006; VI Reunião de Ministros da Cultura da CPLP, Praia, 2007; Reunião Extraordinária de Ministros da Cultura, Lisboa, 2008; VI Reunião de Ministros da Cultura da CPLP, Sintra, 2010; VIII Reunião de Ministros da Cultura da CPLP, Luanda, 2012).

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