Tendo sido impelido para a posição de candidato a Presidente da República, graças a um bom empurrão do presidente José Eduardo dos Santos (JES), João Gonçalves Lourenço (JGL), actual vice-presidente do partido no poder, MPLA, e ministro da Defesa, poderá ser eleito Presidente da República de Angola nas próximas eleições gerais, cuja data de realização está prevista oficialmente para o final de Agosto deste ano.

Por António Setas

A sua missão, no entanto, irá enfrentar situações extremamente difíceis, algumas delas dolorosas e/ou insuperáveis.

Actualmente, está em curso uma campanha pré-eleitoral, que começou a 10 de Dezembro de 2016, na cidade do Lubango (capital da província da Huíla, no Sul de Angola), ou seja, começou cerca de 8 meses antes da data para as eleições gerais, violando, na opinião de muitas pessoas aqui em Angola, e quase toda a gente que no estrangeiro segue com atenção, entre falsos e o verdadeiro, os “Carnavais” angolanos, violando assim, dizíamos, tudo quanto é ética e até mesmo, segundo alguns analistas, o direito constitucional. Seja o que for, esta pré-campanha é publicitária, muito mais do que política!

Em Fevereiro passado (18), a primeira reunião pública do candidato foi realizada nesta mesma cidade. Em seguida, a pré-campanha continuou com grande intensidade em várias capitais e principais distritos do Sul de Angola, nomeadamente, Huambo, Bié, Nharea e outros, com reuniões quase todos os dias, sob a generosa cobertura da mídia quase exaustiva de Estado: todos os dias, de manhã, à tarde e à noite.

Na verdade, o MPLA sabe a que sua hegemonia está ameaçada. Grande é a lista de armadilhas que serão postas no caminho para a “vitória certa” (sic) do seu candidato, isto, se for sua verdadeira intenção cumprir o que vai prometendo ao longo da série de discursos da sua pré-campanha, prestes a serem copiados e repetidos na futura oficial e legal campanha, na época do cacimbo, a saber, vencer as lutas contra a fome e a pobreza, contra a “corrupção desenfreada”, contra o peculato, abuso de confiança e outros desvios, referentes a derrapagens como, por exemplo, a discriminação partidária dentro da casta dos quadros superiores dos serviços públicos, rejeitados e ostracizados se não foram militantes do MPLA, sem contar a enorme escassez de divisas, o desemprego galopante, o gigantesco lixo na capital e, especialmente, o risco de “fraccionismo” dentro do seu próprio partido.

A principal razão para a existência deste último perigo deve-se ao facto de nos discursos da campanha pré-eleitoral em curso (!) abundarem promessas que pretendem levar decididamente em conta a quase totalidade das reivindicações da oposição, exigências essas que, desde a Dipanda e até hoje, “nunca, jamais, em tempo algum” foram satisfeitas. Agora são, trata-se de uma curiosa espécie de milagre político, gerado pelos pleitos eleitorais.

Assim, se João Lourenço continuar nesta canção linda de augúrios de céu azul para o povo angolano, com certeza irá criar um confronto “ideológico” com os “Dinossauros” do MPLA, nome dado à casta mais antiga do partido, na qual figuram homens sem profissão (ser homem político não é profissão), que estão em permanência no exercício de funções políticas, alguns deles há mais de 30 ou 40 anos!, no Parlamento e fora também!

Eles são a maioria dentro da “Casa das Leis”. Entre eles, além dos “sexa” e septuagenários, perfilam-se, a seu lado, os fidelíssimos mais jovens, recém-chegados ou não, que sonham em vir a ser “Dinoussauros, a trabalhar até à morte para o bem do partido e da pátria e sempre prontos, sem precisar de pensar, a obedecer “pavlovianamente” ao “Arquitecto da Paz” (JES).

Estão cheios de razão, e de razões, mais do que normal é indispensável, porque o chefe JES ainda não desapareceu… Mas, é precisamente neste ponto crucial que haverá um pequeno problema, porque, se as promessas de JGL forem cumpridas, os “Dinossauros” vão fazer cara de quem comeu e não gostou e, se não for possível levá-los a sair pela porta grande, a bem, o mais provável é João Lourenço ser votado ao ostracismo, forçado a sair pelas portas do cavalo do palácio da Presidência, do Parlamento e sabe Deus mais o quê.

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