A presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Isabel dos Santos, vai reunir-se com os presidentes de algumas das maiores companhias petrolíferas mundiais, em Huston, Estados Unidos da América, para “avaliar futuras oportunidades e reforçar relações de cooperação”.

Segundo um comunicado hoje divulgado, os encontros com responsáveis, designadamente da Chevron, ExxonMobil, Total, Grupo BP e Statoil, para “avaliar futuras oportunidades e reforçar relações de cooperação”, decorrerão durante a CERAWeek, uma plataforma internacional de discussão na área da energia.

Isabel dos Santos é, aliás, hoje a oradora convidada no painel ‘Transforming Global E&P’ da CERAWeek, que decorre até sexta-feira.

Na sua intervenção, segundo o comunicado, Isabel dos Santos vai partilhar as transformações que tem feito na Sonangol (a maior empresa do Estado/regime) para a “optimização do desempenho financeiro e operacional da empresa”.

A empresa angolana entrou em processo de reestruturação, após a posse, em Junho de 2016, de Isabel dos Santos como presidente do Conselho de Administração, cargo para que foi nomeada pelo seu pai, Presidente do MPLA, Titular do Poder Executivo e Presidente da República, José Eduardo dos Santos, tendo chegado ao final desse ano com uma dívida total à volta de 9.000 milhões de euros.

Sobretudo concentrados na banca, energia e telecomunicações, os investimentos da milionária empresária angolana em Portugal incluem posições na operadora de telecomunicações NOS, no banco BIC, na Efacec, na Galp e na empresa de comunicações via satélite Upstar, a que se juntam investimentos imobiliários que Isabel dos Santos terá no país a título pessoal.

A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) defende que o corte na produção de petróleo acertada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) se mantenha no segundo semestre, disse hoje Isabel dos Santos.

Numa entrevista à agência de informação financeira Bloomberg, Isabel dos Santos disse que Angola apoia a possibilidade de estender o acordo de cortes na produção para além do primeiro semestre.

A filha do Presidente de Angola, igualmente irmã do Presidente do Fundo Soberano de Angola, José Filomeno de Sousa dos Santos, aproveitou também para garantir que vai cumprir o mandato de cinco anos à frente da petrolífera do regime e anunciou que a empresa não tem planos para aumentar a despesa nem neste nem no próximo ano, podendo até baixar face aos níveis de 2015 e 2016.

Angola e o Iraque, dois países que já sinalizaram esta vontade, estão ainda abaixo das metas de redução da produção, segundo a Bloomberg, que está nos 78% no caso angolano e nos 58% no caso do Iraque.

“Estamos algo satisfeitos, mas estamos ansiosos por melhoramentos no preço do petróleo”, disse o ministro do Petróleo do Iraque, Jabbar Al-Luaibi, acrescentando, quando questionado sobre se o acordo para fazer subir o preço deverá manter-se no segundo semestre, que “é provável que isso seja necessário”.

A OPEP e mais outros 11 grandes produtores de petróleo concordaram no ano passado reduzir a produção, o que levou a um aumento de 17% nos preços do petróleo nos EUA durante as últimas cinco semanas de 2016.

No total, a produção da OPEP caiu para 32,17 milhões de barris por dia em Fevereiro, o que representa uma queda de 65 mil barris face aos valores de Janeiro, o primeiro mês de implementação do acordo, segundo dados da Bloomberg.

Registe-se ainda que o Governo do pai de Isabel dos Santos está a estudar a possibilidade de passar a enviar petróleo bruto produzido no país para refinar no estrangeiro, para posterior consumo nacional.

Em causa está um despacho assinado pelo ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos, com vista à contratação de uma empresa de consultoria que terá especificamente a missão de elaborar um “estudo de viabilidade técnico-económico de processamento de petróleo bruto angolano numa refinaria fora do país”.

Angola é o maior produtor de petróleo em África, com mais de 1,6 milhões de barris de crude por dia, mas a capacidade de refinação nacional é insuficiente, cingindo-se a actividade à refinaria de Luanda, o que obriga à importação de grande parte dos produtos refinados que consome.

Folha 8 com Lusa

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