Os bolseiros das Forças Armadas de Angola na diáspora continuam na miséria e a passar por situações críticas que, por esse mundo, em nada prestigiam o nosso país. O Folha 8 tem dado conta desta situação, uma entre muitas outras, e continuará a fazê-lo. Hoje publicamos uma mensagem dos bolseiros ao Comandante-em-Chefe das FAA, José Eduardo dos Santos.

“N ós bolseiros das Forças Armadas Angolanas na diáspora, tomamos a liberdade de escrever esta carta, visto que anterior (publicada pelo F8 no dia 22 de Março sob o título “Monumental escândalo com os bolseiros das FAA), enviada ao Senhor Ministro da Defesa e ao Senhor Chefe do Estado Maior General das FAA não teve resultados satisfatórios, uma vez que a nossa situação continua cada vez mais crítica , porque estamos a caminho do 5º mês sem receber os nossos subsídios , já que o Senhor Governador do Banco Nacional de Angola , não está preocupado com a nossa situação de extrema miséria.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas. Fomos seleccionados para fazer formação, contudo sentimo-nos como se estivéssemos condenados e a pagar por um crime, pois humanamente não é possível mantermo-nos este tempo todo sem subsídios para custear as nossas despesas com as necessidade básicas (alimentação e habitação).

Hoje, para comermos temos que nos submeter a trabalhos que em nada são compatíveis com nossos níveis de escolaridades e nem com postos que ostentamos, pois para ter uma refeição temos que fazer serviços como limpar casas de banho, cozinhas e lavar loiça, o que nada dignifica o nosso estatuto nem o nosso país.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas.

Somos militares das Forças Armadas Angolanas e estamos a fazer cursos militares que em quaisquer Forças Armadas deste mundo são os mais valorizados o que contrasta com a nossa realidade onde são valorizados cursos que nada tem a ver com as FAA, tais como medicina, direito, economia, psicologia e outros. De recordar que as FAA podem recrutar e em grandes quantidades técnicos superiores com estas formações nas universidades espalhadas pelo país. Contudo não pode recrutar, por exemplo, oficiais de artilharia, infantaria ou cavalaria e outros porque, de facto, só existem em academias militares.

A nossa preocupação centra-se na questão dos juristas e médicos que hoje são os que mais ganham nas FAA. Por exemplo, um Tenente jurista do Tribunal Militar tem um vencimento superior ao de um Brigadeiro.

Excelentíssimo Senhor, Presidente aa República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas.

Esta questão salarial tem que ser estudada de forma a valorizar o verdadeiro profissional das FAA, aquele que é formado só em escolas e academias militares pois estes são os verdadeiros homens das Armas. Também nos preocupa as grandes discrepâncias entre os salários da UGP, USP comparados com outros militares, onde os militares da UGP e USP têm um salário de 5 ou até 10 vezes superior ao nosso, pois acreditamos que não é do conhecimento do Comandante-em-Chefe, pese embora possam ter algum subsídio por esta missão de guardar o Presidente da República, contudo não justifica uma diferença tão abismal e desproporcional.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas.

Agradecíamos que se criasse uma comissão para inspeccionar a questão dos bolseiros das FAA, uma vez que muitos não tem vínculo com as FAA e em algum momento irão prestar serviço às FAA e outros que são os fantasmas pois não existem e apenas foram criados para o enriquecimento ilícito de alguns oficiais.”

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