O presidente do partido angolano Bloco Democrático (BD), Justino Pinto de Andrade, assumiu hoje que se o partido não tivesse concorrido às eleições de 23 de Agosto coligado na CASA-CE “passaria por dissabores”, pelo que o entendimento é para manter.

“N ão vejo neste momento qualquer motivo para que o Bloco Democrático se desfaça da coligação, acho que é um exercício que deve ser feito e temos de nos habituar a conviver na diferença. No fundo esta mensagem e coexistência dentro a diversidade é que nós queremos passar”, disse hoje o presidente daquele partido, que em 2012 não foi autorizado a concorrer às eleições gerais.

Falando durante a cerimónia de abertura da quarta convenção extraordinária do partido, que decorre até sábado, em Luanda, o líder do BD apontou “debilidades organizativas” na preparação das eleições.

“É que o modelo utilizado para a recolha das assinaturas não condizia com o modelo apresentado pelo Tribunal Constitucional. Por isso, se tivéssemos ido sozinhos ao pleito eleitoral, passaríamos pelo dissabor de ser recusados, com a nossa imediata e consequente ilegalização”, explicou.

Acrescentando que “este não é um momento para apontarmos o dedo uns aos outros”, Justino Pinto de Andrade, que conseguiu ser eleito como deputado, fala antes num momento para analisar “fraquezas” e “debilidades”.

Nas eleições gerais de 23 de Agosto, vencidas pelo MPLA, o Bloco Democrático integrou, juntamente com outros cinco partidos, a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), que obteve 9,44% dos votos, elegendo 16 deputados, voltando a ser a segunda força da oposição.

“A coligação em que estamos inseridos conseguiu duplicar o anterior número de deputados. Penso que o mérito deve ser repartido por todos quantos a integram, inclusive o nosso partido”, observou.

Apesar de reconhecer que no seio do BD houve quem não tenha concordado com a decisão de concorrer às eleições em coligação, Justino Pinto de Andrade considera que a opção não foi de todo errada.

“O Bloco Democrático está vivo e por isso está aqui reunido no local onde se constituiu. Foi melhor assim do que termos sucumbido antes ainda do tiro de partida. Devemos aproveitar agora as nossas energias renovadas para fazer crescer o nosso partido”, referiu.

Assegurou que terá uma “postura de deputado nacional” no Parlamento, referindo que na coligação “devem ser estabelecidos consensos”.

“Tenho de compreender que estou dentro de uma coligação e que na coligação temos que estabelecer consensos e não podemos estar cada uma pensar da sua maneira e a tentar impor a sua vontade. Só me desligo das ideias do grupo se achar que o grupo está completamente errado”, afirmou.

Apresentação, apreciação, discussão e análise da situação organizativa do partido a nível nacional e provincial e sua reestruturação para consolidação na CASA-CE são alguns dos pontos da agenda da reunião que termina no sábado.

Folha 8 com Lusa

Partilhe este Artigo