A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que as contínuas dificuldades orçamentais em Angola e a proximidade das eleições, previstas para Agosto deste ano, vão potenciar o surgimento de protestos, com a repressão habitual das autoridades a poder fomentar a instabilidade.

De acordo com a unidade de análise económica da revista britânica The Economist, “há o perigo de um aumento dos protestos dado as contínuas dificuldades orçamentais no ambiente actual de preços baixos do petróleo”.

No relatório sobre Angola, os analistas económicos sublinham também que “as repressões fortes sobre os críticos podem funcionar como um catalisador para mais instabilidade sustentada”, mas consideram que o partido no poder desde Novembro de 1975 vai continuar as mesmas tácticas que tem seguido até agora.

“O MPLA vai continuar a agir com força, seja através de julgamentos mediáticos, esforços para restringir o acesso aos media electrónicos cada vez mais usados pelos apoiantes da oposição ou pelo encerramento dos protestos públicos pelos serviços de segurança, suprimindo assim tudo o que entender ser uma ameaça séria à sua hegemonia”, escrevem os analistas.

No último relatório sobre Angola, os analistas da EIU mantêm a previsão de crescimento de 0,6% para este ano, acelerando ligeiramente a partir de 2017: “À medida que os preços do petróleo recuperam, um crescimento ligeiramente maior da despesa pública e do consumo privado deve fazer subir a taxa de crescimento para 3% em 2017 e 3,5% em 2018”.

Estas taxas de crescimento, embora muito abaixo da média histórica dos últimos anos, podem acelerar se o acordo da OPEP em Setembro sobre o limite da produção fizer aumentar os preços do petróleo, mas ainda assim a EIU mantém a previsão de um crescimento médio de 2,7% entre 2019 e 2021.

PALOP ao ritmo do caracol

Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) vão crescer, em média, 1,3%, prejudicados sobretudo mas não só pela recessão na Guiné Equatorial, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima chegar a 5,8% este ano (10% em 2016).
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Na edição de Outubro de 2016 do relatório sobre as Perspectivas Económicas Regionais para a África Subsaariana, o FMI dizia que a média das outras seis economias lusófonas em África chegaria a praticamente 3%, mesmo com Angola a escapar por pouco da contracção económica.

A Guiné-Bissau, com uma expansão económica de 4,8%, será o lusófono africano a registar o maior crescimento, seguido de perto por Moçambique, que apesar das múltiplas crises que atravessa, consegue registar um crescimento de 4,5%.

São Tomé e Príncipe, com uma expansão de 4% e Cabo verde, com 3,6%, completam o leque de países lusófonos que estão a crescer, com Angola a registar uma estagnação económica.

Segundo as projecções dos economistas do FMI, Angola deverá, em 2021, registar um nível de crescimento de sensivelmente um terço face à média entre 1998 e 2007. Para 2016 o World Economic Outlook aponta uma estagnação, prevendo 1,5% em 2017.

“Angola está, como a Nigéria e a África do Sul, a adaptar-se à forte queda nas receitas das exportações de petróleo, não deverá crescer em 2016 e vai ter um débil crescimento em 2017”, lê-se no relatório.

No que diz respeito a Angola, o documento revia em forte baixa as previsões de crescimento, já que em Maio apontava para um crescimento de 2,5% em 2016 e uma ligeira aceleração para os 2,7% este ano.

Segundo as projecções dos economistas do FMI, Angola deverá, em 2021, registar um nível de crescimento de sensivelmente um terço face à média entre 1998 e 2007, anos em que cresceu 10,3% ao ano, em média.

A actualização das previsões de crescimento surgia então menos de um mês depois da EIU ter revisto também em baixa as previsões de crescimento da economia de Angola para 2016, antecipando uma expansão de apenas 0,6%, cerca de metade da estimativa oficial do Governo.

Em Agosto, o Governo reviu em baixa a sua previsão de crescimento em 2016, pela segunda vez em pouco mais de um mês, de 3,3% para 1,1%, e em Julho já tinha revisto para 1,3%; mas a EIU reviu a sua própria previsão, para apenas 0,6%”, escreveram os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

No ‘Country Outlook’ sobre Angola, a EIU antecipa que no resto desta década o país acelere o crescimento económico para 3,5% em 2018, antes de novo abrandamento para 2,5% em 2020.

Registe-se que a subida do nível da dívida pública é uma consequência directa da descida dos preços do petróleo, a partir de meados de 2014, que afectou decisivamente a economia de Angola, que depende desta matéria-prima para financiar o desenvolvimento económico e as altas taxas de crescimento que registou na última década. Indirectamente é uma consequência da inexistência da diversificação económica, há décadas defendida quer por analistas internos quer externos.

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