A angolana Nadir Tati apresentou hoje em Lisboa a sua colecção para a próxima Primavera/Verão que é “arte africana”, mantendo a assinatura da designer de moda que passou de convidada a parte integrante do calendário da ModaLisboa.

A colecção, explicou Nadir Tati no final do desfile no Pavilhão Carlos Lopes, “é arte africana” e “quando se fala em arte africana fala-se nos tecidos”. Para a próxima Primavera, a designer angolana apostou na utilização da capulana, tecido tipicamente africano.

Nesta colecção, como em anteriores, Nadir Tati tentou manter a mesma linha. “Tenho uma assinatura e é nela que me mantenho e que faço com que as pessoas acreditem no continente africano”, afirmou, referindo que quando fala em “continente africano” refere-se “a todas as dificuldades que existem no continente no que diz respeito à indústria têxtil”.

O material utilizado na colecção, tal como as ideias para a conceber, foi busca-los, “naturalmente, aos países vizinhos [de Angola]: Nigéria, Congo, Gana e Camarões”.

Todo o trabalho concentrado na colecção que hoje apresentou é “muito programado” e “feito ao detalhe, pensado ao detalhe, para poder dar resposta a todo este público, todos estes olhos que nunca mais acabam”.

Nadir Tati apresentou pela primeira vez uma colecção na ModaLisboa em Março de 2015, como criadora convidada, desde então é presença assídua, agora como um dos nomes do calendário oficial.

“Sei que quando apresento um trabalho aqui tenho a globalização, um conjunto de pessoas viajadas e que conhecem um pouco da história de África. É uma honra ter uma sala tão bonita e saber que não só os PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa] e o continente africano, mas todas as pessoas que ali estão e se orgulham e estão contentes com aquilo que tenho apresentado até agora”, afirmou.

Nas próximas colecções, Nadir Tati irá “continuar com foco na globalização, na internacionalização e na mistura”. “Para que não só os africanos, mas Portugal e o continente europeu se sintam livres para usar os nossos tecidos e perceber a nossa forma de pensar”, referiu.

Desde a primeira vez que apresentou na ModaLisboa sente-se “mais à vontade em Portugal”.

“Comecei como convidada e hoje faço parte do calendário. É muito bom. Se passear pelas ruas já sinto um carinho diferente, um número grande de pessoas vem dar os parabéns e dizer que de alguma forma tem acompanhado o meu trabalho”, contou.

Lusa

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