Assinado por Osvaldo Franque Buela, Chefe do Gabinete da Presidência da organização, a FLEC dirigiu a diversas organizações internacionais, nomeadamente Médicos sem Fronteiras, Médicos do Mundo, Cruz Vermelha e UNICEF , um apelo de solidariedade para o Hospital de Cabinda.

Eis o comunicado enviado pela FLEC à Redacção do Folha 8 na Europa:

“Depois de muitos sinais de alarme que recebemos todos os dias por parte dos médicos, enfermeiros e pacientes, tomámos o compromisso de lançar este apelo de solidariedade humanitária junto da comunidade nacional internacional para chamar a atenção sobre o estado de crise profunda em que está o mergulhado o chamado Hospital Provincial de Cabinda-HCC, fora do qualquer contexto político ou conflito, mas apenas por razões humanitárias, que é uma das consequências da má governação profunda.

Este apelo humanitário tem como objectivo único sensibilizar simplesmente todas as ONG’s e pessoas de boa-fé para uma assistência multiforme aos pacientes internados, médicos e enfermeiros que diariamente compartilham este lugar da medicina onde agora nem simples papel têm para passar receitas.

As autoridades angolanas a nível central como provincial estão a ocultar estas informações ao público em geral para não piorar a contestação à sua governação, visto que cada vez mais aumenta a consciência patriótica da população de Cabinda, principalmente da sua juventude.

Neste preciso momento a maior unidade hospitalar do território de Cabinda virou um matadouro onde os mais desfavorecidas não encontram nenhuma assistência medicamentosa a não ser a sua morte lenta.

Os médicos e enfermeiros são ameaçados e forçados a manter o silêncio para evitar serem processados por motivos de rebelião ou atentado à segurança do Estado, e activistas da sociedade civil já não podem mais continuar suas actividades por causa do clima de tensão com as autoridades judiciais do território que se destacam em detenções arbitrárias.

E, ultimamente, o que está a acontecer é que muitos jovens com curso superior saíram do território de Cabinda para o Sul de Angola em busca de trabalho e de uma aparência vida de paz, e isto é muito preocupante.

Razão pela qual estamos a lançar este apelo humanitário para que criem um programa de emergência para acudir particularmente os pacientes do Hospital de Cabinda que ao continuar o cenário actual estamos a viver um grande desastre humano longe da media e olhares externos.

As autoridades angolanas não relatam ao público a verdadeira estatística das mortes diárias naquela unidade hospitalar. Qualquer pessoa de boa-fé e sensível que visitar o Hospital Central de Cabinda saíra de lá com um sentimento desolador da realidade cruel de um governo déspota de Angola que encara Cabinda como lugar de exploração de petróleo e não uma terra onde vivem também pessoas.

Façam algumas coisas pelas nossas famílias por que no território já somos poucos e as mortes por conveniência do governo angolano estão a trazer luto a muitas famílias.”

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