As duas maiores economias de África, a África do Sul e a Nigéria, anunciaram um crescimento do Produto Interno Bruto no segundo trimestre do ano, após vários meses em recessão. Ainda assim, vários especialistas consultados pela agência France-Presse consideram que as perspectivas são mais preocupantes no caso da economia nigeriana.

“E nquanto o crescimento sul-africano está com tendência ascendente, a situação na Nigéria continua muito frágil”, considerou John Ashbourne, economista da Capital Economics para o continente africano.

Os economistas ouvidos pela AFP consideraram decepcionantes os resultados da economia nigeriana, apesar de uma subida do PIB de 0,55%, a primeira vez em mais de um ano. A economia da Nigéria contraiu 1,5% em 2016, entrando em recessão pela primeira vez em mais de 25 anos.

O PIB nigeriano também caiu no primeiro trimestre deste ano (- 0,91%), num contexto de quebra das receitas do petróleo e de escassez de divisas estrangeiras, o que afastou investidores estrangeiros.

A produção de petróleo da Nigéria, o maior produtor do continente – a par de Angola – caiu a pique devido a ataques rebeldes contra infra-estruturas de hidrocarbonetos no Delta do Níger.

A produção voltou a subir para 1,84 milhões de barris por dia no segundo trimestre, na sequência de uma trégua que entrou em vigor no início do ano e que foi negociada pelo Governo nigeriano, que concedeu acordos de amnistia com os grupos armados.

No entanto, “se o sector petrolífero retomou com este crescimento, a performance foi bastante pior do que a maioria dos analistas estava à espera”, afirmou John Ashbourne.

Razia Khan, analista do Standard Chartered Bank, tem a mesma opinião e explica o crescimento repentino da Nigéria: “Uma aceleração de 0,6% não conta muito”, na medida em que se baseia nos maus resultados registados no trimestre homólogo de 2016, que foram de -2%.

Por outro lado, a ligeira melhoria registada no sector petrolífero “não deve nunca ser confundida com um crescimento sustentado e não volátil”, indicou Razia Khan, acrescentando: “A Nigéria ainda não está lá”.

A produção de petróleo da Nigéria representa 70% das suas receitas públicas. O crescimento do PIB sem contar com o sector do petróleo no primeiro trimestre do ano foi de 0,7% (face ao mesmo trimestre de 2016), mas desacelerou para 0,5% no segundo trimestre (contra o segundo trimestre de 2016).

“A desaceleração foi generalizada na maioria dos sectores-chave não petrolíferos, com um enfraquecimento da produção na agricultura e na indústria e uma estagnação na construção civil e obras públicas”, segundo a Capital Statistics, que baixou as previsões de crescimento de 2% para 1,2% em 2017.

A situação parece melhor na África do Sul, que registou um crescimento do PIB de 2,5% face ao primeiro trimestre do ano.

O país mais industrializado do continente africano entrou oficialmente em recessão (dois trimestres consecutivos em queda) já este ano. No último trimestre de 2016 registou uma queda de 0,3% e de 0,7% no primeiro trimestre deste ano.

O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e o governador do Banco Central do país, Lesetja Kganyago, anteciparam na altura uma rápida retoma do crescimento, falando em “recessão técnica”.

John Ashbourne concorda com essa visão: “A quebra registada no primeiro trimestre resulta de factores temporários”, como a época de saldos, que estimulou a despesa das famílias no último trimestre de 2016 e provocou uma “contra-chicotada” de contracção no início do ano.

Os números, disse o economista, “sugerem que a economia está a ganhar força” na maioria dos sectores chave, nomeadamente na agricultura, depois de um grande período de seca que afectou o país em 2016.

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