O ex-preso político Arão Bula Tempo, advogado e activista pelos Direitos Humanos em Cabinda, denunciou ao Folha 8 que sofreu ameaças e invasão ao seu domicílio na última sexta-feira, 13, por parte de agentes da Polícia Nacional e Serviços de Migração e Estrangeiros da província.

Segundo contou ao Folha 8, as ameaças ocorreram quando os indivíduos estrangeiros foram à sua residência, localizada no Cabassango, em busca de ajuda perante a perseguição de que estavam a ser vítimas, realizada pelos agentes do Ministério do Interior. Arrogantemente, os agentes penetraram na residência do também ex-presidente do Conselho Provincial da Ordem dos Advogados de Angola sem qualquer autorização ou mandato judicial.

Diante do advogado, os agentes algemaram os estrangeiros e principiaram uma sessão de espancamento. Não podendo ficar indiferente, Arão Tempo interpelou os agentes e, em resposta, para além de ameaçado, foi acusado de dar refúgio ilegal aos indivíduos estrangeiros na província. Eram 7h da manhã.

Uma hora depois, outros agentes da PN entraram em seu quintal também sem autorização, desta vez chefiados por alguém que se dizia ser o «comandante Mário». Arão Tempo não se encontrava em casa, mas a família conta que foram novamente ameaçados.

“Ameaçaram a minha família, inclusive o meu filho menor, dizendo que eu estava escondido em casa e iriam fazer uma queixa contra mim”, narrou.

Consciente de que nada tem a temer, garantiu, deslocou-se à esquadra que se encontra próxima de sua residência com intuito de questionar o que queria o referido comandante. No local, um agente disse que “o comandante Mário não era daquela esquadra mas pertence à de Fútila”, área de exploração petrolífera.

Quem também foi vítima da acção policial contra os estrangeiros é João Muanda, vizinho de Arão Tempo. As portas e janelas de sua casa foram arrombadas. Nesta habitação, tratou-se exactamente de roubo, pois levaram um computador e outros “bens dos seus interesses”.

Ao chegar à casa, o proprietário foi surpreendido com as portas e janelas escancaradas. Imediatamente dirigiu-se à esquadra do bairro Ngoma e ali denunciou o assalto ao segundo comandante, que entretanto informou que não orientou os seus subordinados a invadirem a residência do cidadão.

Uma vizinha, que testemunhou a acção, indicou um dos agentes como pertencente ao grupo da invasão, mas o mesmo negou a sua participação.

O comandante policial retirou do próprio bolso mil e 500 Kwanzas e entregou ao cidadão João Muanda com o propósito de pagar as despesas com o carpinteiro pelo arranjo das fechaduras da porta e janelas.

Recorde-se que Arão Tempo esteve detido em 2015 acusado de recrutar jornalistas estrangeiros para cobrirem uma manifestação contra a má gestão e violação dos direitos humanos na província. Para além de Arão Tempo, Marcos Mavungo também foi preso e condenado a seis anos de prisão pelo crime de rebelião.

Partilhe este Artigo