As estatísticas reveladas pelas Nações Unidas relativamente a Angola, são angustiantes. 80% da população – 20,5 milhões de pessoas – vive na pobreza, a maioria não possui qualquer documento de identificação, mas todos têm cartão de eleitor. São obrigados a ter. E, melhor ainda, devem ter cartão do MPLA…

Entre os pobres, cerca de 17,5 milhões de angolanos vivem com menos de um dólar por dia. Em contrapartida, Angola é o país da África subsariana que mais gasta na defesa e com os militares.

A economia é muito polarizada: faz-se apenas em torno da produção petrolífera, que representa 98% das exportações, e dos diamantes. Falta investimento no património do subsolo relativamente a outros minérios como o ouro ou o cobre, bem como na indústria transformadora, principalmente relacionada com os produtos da terra e muito menos no sector primário.

Apesar de estarmos perante um país fértil, a agricultura é de subsistência sem registo de desenvolvimento técnico e organizacional. A pesca também é um recurso onde se verifica baixo rendimento. Faltam equipamentos e formação. No país, nem sequer existe uma rede de refrigeração que pudesse suportar a ideia de constituir-se uma indústria associada à pesca.

E tudo isto acontece na 23ª maior nação do Mundo, com apenas 20,96 habitantes por quilómetro quadrado que poderia situar-se entre as mais prósperas do continente africano.

Em Angola também se regista um baixo investimento em infra-estruturas básicas, como nas redes de abastecimento de água, de electricidade e do saneamento, sendo que nesta matéria como em todas as outras a culpa continua a ser, segundo o regime, da colonização portuguesa.

Para se perceber a precariedade no sector basta atender aos números: 75% do parque habitacional não têm água canalizada e 85% não possui saneamento básico. Mais de 75% da população vive em bairros de lata ou em construções provisórias e circunstanciais nos meios urbanos mais pequenos ou em áreas rurais.

Em Luanda, os apartamentos mais debilitados, sem grandes condições de salubridade, podem valer entre mil e 1.100 dólares de renda mensal, enquanto as melhores são arrendadas por valores acima dos 4 mil dólares.

Mas a crise provocada pela quebra do preço do petróleo teve ainda outras consequências: uma delas a suspensão do contrato entre o governo e a empresa que recolhia e tratava os resíduos sólidos, provocando agora um amontoado de lixeiras a céu aberto no meio das artérias das maiores cidades.

Consequência da crise é a contracção das importações geradora da escassez dos mais diversos bens, mesmo ao nível dos medicamentos. Resultado, em 2015, mais de 3 milhões de angolanos tinham malária. A cólera, febre hemorrágica de Marburg, dengue, filariose, leishmaniose e oncocercose, também conhecida como “cegueira dos rios”, são doenças comuns em muitas partes de Angola. Não menos preocupantes são, a maior incidência de tuberculose e de infectados com HIV. Angola também lidera a lista dos países com maior taxa de mortalidade infantil.

A revista Forbes chamou à atenção para a incerteza sobre o futuro das crianças e jovens angolanos, já que mais de 90% das crianças que frequentam o ensino básico não recebem os manuais escolares que, curiosamente, são de distribuição gratuita de acordo com a legislação do país. 22% das crianças não frequentam a escola, 50% não chegam a terminar o 1º ciclo, enquanto 80% das crianças que terminam o ensino primário não continuam a estudar.

Se é certo que a guerra civil em Angola que durou 27 anos – de Novembro de 1975 a Abril de 2002 – deixou Angola num estado de subdesenvolvimento tremendo, com um elevado nível de destruição das infra-estruturas deixadas pelos portugueses, não será menos justo dizer que em tempo de paz, e já lá vão 14 anos, a estratégia do governo angolano se manteve em torno do maior ressarcimento resultante apenas das exportações do petróleo e dos diamantes, fazendo investimentos maiores em obras megalómanas, no sector terciário, e em outras áreas fora do país, nomeadamente em Portugal e em mercados bolsistas europeus.

A revista Forbes destaca que Angola se encontra entre os 20 países mais corruptos do Mundo e dos mais desiguais na distribuição de riqueza. A publicação cita outros dados: uma inflação de 30%; o salário médio de quem trabalha com carácter oficial pode não ser superior a 100 dólares mensais; que uma família com três pessoas, da classe média, não atinge os 4.000 dólares de rendimento anual; que, em Luanda, são precisos 1.600 dólares para se adquirir um cabaz de alimentos desejável para uma qualquer família de 4 pessoas.

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