O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, está doente. Muito ou pouco, pouco interessa. Está! Os rumores saem, preocupados dos corredores palacianos. No exterior a notícia a uns cala a outros deixa atemorizados.

Por William Tonet

Enquanto isso o gabinete da Cidade Alta, capitaneada pelo Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração, esconde a realidade ao país.

Mas o semblante carregado, não mente, pese a tese de fazer segredo o que deve ser público e público o segredo.

É humano, um mortal estar doente, por ser a lógica da vida, mesmo tratando-se do Presidente da República, até mesmo se tiver, biliões de dólares na conta.

Os bajuladores, temerosos de perderem o lugar, pensam que devem continuar a esconder a realidade, quando sabem que Dos Santos deve repousar, segundo recomendação médica e indicar um substituto.

O “in circle” presidencial faz resistência a uma eventual saída, contrariando a lógica da mudança.

O que está mal, neste cenário?

Tudo!

Dos Santos nunca vaticinou uma saída airosa e pacífica, logo nunca a preparou. O que tiver de ocorrer será de forma atabalhoada. E, por via disso, não tem um legado, quanto à substituição. Os assessores muito menos, portanto, tudo será ao acaso.

Seria importante, por exemplo, que Dos Santos resolvesse ter de sair – assim existisse democracia interna – através da realização de primárias, para que a maioria dos militantes pudesse sufragar os diferentes candidatos e não haver um indicado.

O regime, não vai mudar a sua política para com os cidadãos, mas o interior do MPLA vai mudar, poderá até vir a ser uma mudança violenta.

Os grupos são vários e com as estruturas fragilizadas, nunca será pacífica, mesmo com Dos Santos, a entregar o testemunho. A guerra poderá começar por implosão interna ou com uma elevada democracia interna. De uma coisa podem os cidadãos estar certos, depois de Dos Santos nada será o mesmo, ainda que se perpetue na liderança só do MPLA.

Uma transição pacífica teria de ser com tempo, para destruir o exército privado: UGP; USP; alterar a composição do gabinete presidencial, desmontar a estrutura paralela de governo; retirar os filhos da direcção de empresas públicas; negociar um pacto de regime, para garantir a sua segurança, etc..

Sem isso, sendo o quadro diferente do de 1979, quando Dos Santos substitui Agostinho Neto, numa “substituição possível”, pois, à época, havia uma ameaça e pressão bélica nas fronteiras externas, com os exércitos sul africanos e zairense e ainda interna, com a guerrilha da UNITA, que obrigou a unidade interna do MPLA, diferente do quadro actual.

Hoje a discussão parte do facto de só uns poucos, terem enriquecido no reinado de Dos Santos, em detrimento da maioria, logo tudo poderá acontecer se não houver consensos entre todas as correntes silenciosas, que gravitam no interior do MPLA.

Se houver sapiência a sucessão poderá redundar em transição e esta ser uma garantia de maior estabilidade, o contrário é o imprevisível.

Esperemos para ver como tocará o dong.

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