O presidente da TAAG, Peter Hill, garante que a companhia aérea já cortou 70 milhões de dólares em custos no primeiro ano de gestão pela Emirates, acrescentando que, devido à crise, a aposta da administração está a ser na redução de custos. Será por isso que há tantos aviões, sobretudo os mais antigos, em terra?

De facto, após a recepção dos novos aparelhos, a frota de longo curso B777, mais antiga, tem estado completamente parada ou com poucas frequências chegando a voar numa semana apenas 6 horas em ligações à África do Sul. Um dos 777-200, inclusive não voa há mais de dez dias, outro há cinco dias e há até um avião da frota que voou para Havana há vários dias e ainda não regressou, não existindo noticias de avaria.

As ligações a Portugal estão a ser feitas pelos mais recentes aparelhos: B777-300 – D2-TEI; D2-TEJ e D2-TEK. Têm sido voos regulares, sendo esses mesmos aviões que estão a assegurar a rota do Brasil.

Embora sem resposta em tempo útil por parte da TAAG, é curial pensar-se que algo de anómalo se passa com a estratégia de rotas ou, então, com o pessoal tripulante e pessoal navegante.

Outo dos problemas é que a frota com mais de cinco anos está com os interiores degradados e a carecer de rápida e vasta manutenção, de modo a satisfazer as necessidades dos passageiros e a não deixar degradar a imagem da companhia.

Seja como for, o facto de os 777-200 terem já dez anos não justifica a sua paragem até porque, de acordo com o fabricante e com o que é prática em prestigiadas companhias, essa frota pode manter-se activa até aos 25 anos.

A frota doméstica mantém-se a voar normalmente, sendo que a nova rota para Maputo vai ser operada com os 737-700. E aqui reside alguma estranheza. Porque razão as rotas para Cape Town e Joanesburgo são operados com os 777, e a de Moçambique não? Isto porque faria todo o sentido usar mais capacidade e assim captar passageiros em Maputo para os voos com destino a Portugal.

Rotas prováveis na Europa como Paris e Frankfurt, não são de momento exequíveis, pois as próprias Air France, Lufthansa e British Airways, estão a lutar com taxas de ocupação deficitárias e só não desistem porque os voos são em “code-share” com a TAAG.

É, por tudo isto, estranho que se mantenha inoperacional a frota ainda recente e se encomende aviões novos ao preço do ouro, quando não se tem rotas nem planeamento para toda a frota de forma a, atempadamente, garantir que se retira o máximo rendimento dos equipamentos.

Tudo leva a crer que com a frota no chão… os prejuízos continuarão a levantar voo.

“Nós dissemos, no nosso plano de negócios, que em três anos íamos reduzir custos em 100 milhões de dólares e logo no primeiro ano já poupamos 70 milhões. Por isso estamos muito contentes e posso dizer que as finanças da companhia estão a melhorar dramaticamente”, explica Peter Hill.

Mas será mesmo assim? Ou, como noutros casos, quando a TAAG estiver quase a operar sem prejuízos… morre?

“Herdamos uma companhia não lucrativa, com muitos trabalhadores, e nos últimos 12 meses estamos a reduzir os custos”, enfatizou o administrador, que assumiu funções, indicado pela Emirates, há pouco mais de um ano, ao abrigo do contrato de gestão da TAAG que a companhia aérea árabe assinou com o Governo angolano.

O inglês Peter Murray Hill foi nomeado pelo Governo angolano para presidir ao Conselho de Administração da transportadora aérea TAAG, no âmbito da gestão que os árabes da Emirates assumiram a “nossa” companhia de bandeira.

A nomeação consta de um decreto presidencial de 15 de Setembro de 2015, ao abrigo do contrato de gestão da companhia estatal com a Emirates, sendo que dos cinco elementos executivos do Conselho de Administração apenas um é angolano.

Entre outras funções, Peter Hill foi presidente do Conselho de Administração da Sri Lankan Airlines, também sob gestão da Emirates (49% do capital social) e assumiu um mandato de cinco anos à frente da TAAG.

O contrato de gestão assinado entre o Governo e a Emirates prevê a introdução de uma “gestão profissional de nível internacional” na TAAG, a melhoria “substancial da qualidade do serviço prestado” e o saneamento financeiro da companhia angolana, que em 2014 registou prejuízos de 99 milhões de dólares.

Em contrapartida, no âmbito do Contrato de Gestão da transportadora pública angolana celebrado com a Emirates Airlines para o período entre 2015 e 2019, prevê-se dentro de cinco anos resultados operacionais positivos de 100 milhões de dólares.

Em Setembro de 2015, o ministro dos Transportes, Augusto Tomás, traçou o objectivo de a TAAG ultrapassar os 3,3 milhões de passageiros transportados anualmente a partir de 2019, com o reforço das ligações internacionais, nomeadamente para a Europa, com a gestão da Emirates.

“Ao longo dos anos, a TAAG tem registado resultados negativos ao nível da sua exploração, de modo que prevê-se com este quadro a viragem de uma nova página”, disse o ministro, após a discussão deste plano para a companhia, que prevê chegar a uma frota de 21 aeronaves em 2019.

A formação de quadros angolanos no Dubai, na academia da Emirates, e a introdução de uma “gestão profissional de nível internacional” são objectivos deste contrato, que assenta na reestruturação financeira da TAAG, com a meta da facturação anual a passar de 700 milhões de dólares em 2014 para 2,3 mil milhões de dólares dentro de cinco anos.

“Pretende-se que a TAAG seja saneada do ponto de vista económico e financeiro, através da optimização dos seus postos [de trabalho] e de economias de escala”, defendeu há um ano o governante angolano.

A “redução de custos operacionais” está prevista na nova gestão da TAAG.

Diz a própria TAAG que “o futuro não se antecipa, prepara-se”, acrescentando que “para mantermos a nossa posição de liderança, para identificarmos e definirmos novos padrões que permitam atrair e reter clientes no nosso mercado, é importante que a monitorização do ambiente de negócio seja contínua e sistemática e que a informação proveniente dessa monitorização seja utilizada para estabelecer, implementar, rever e melhorar políticas, estratégias, objectivos, metas, indicadores e planos de curto, médio e longo prazo. Ao aprendermos com os nossos erros ou ao sabermos explicar as tendências dos resultados, estamos a criar condições para elevarmos os nossos padrões para os níveis mais exigentes”.

Por isso, afirma, “procuramos que em todos os momentos a Companhia projecte uma imagem afável, simpática e profissional e desenvolvemos todos os esforços no sentido de minimizar o impacto ambiental das nossas operações e proporcionar um ambiente saudável e seguro aos nossos clientes e colaboradores”.

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