BRASIL. A Operação Lava Jato, que investiga um grande esquema de corrupção no Brasil, demonstrou que o sistema político brasileiro está completamente falido e são necessárias mudanças profundas, defendeu hoje, em Lisboa, o procurador-geral do Brasil, Rodrigo Janot, que comanda a Operação Lava Jato perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

Para o magistrado, “há a necessidade de uma profunda reformulação do sistema político brasileiro”, porque se não houver mudanças, a investigação “não terá dado resultado, já que se tira umas pessoas e outras virão para ter assento neste mesmo sistema”.

Rodrigo Jonot fez estas declarações à margem do seminário internacional “Estatuto Ético-Deontológico dos Procuradores e Fiscales”, que decorreu hoje, na sede da Polícia Judiciária, em Lisboa.

De acordo com investigações e as colaborações premiadas recebidas pela força tarefa da Operação Lava Jato, estão envolvidos políticos de diversos partidos, empresários, funcionários públicos, consultores, entre outros.

“As investigações prosseguem e não tem até agora, e não terá, um colorido ideológico ou partidário. Nas investigações, nós apuramos factos que vêm à tona e nós procuramos a autoria destes factos”, afirmou.

Segundo Janot, essas investigações só conseguiram ir até ao actual patamar devido a alguns instrumentos que o próprio Congresso Nacional aprovou.

“Um deles que eu acho essencial, penso que está na ordem do dia a discussão aqui em Portugal, é a colaboração premiada”, referiu.

“Já ouvi algumas pessoas aqui (em Portugal) a falar em delação premiada, não se trata de delação, mas sim de colaboração premiada. É um réu colaborador, que não é um ‘alcaguete’, um ‘X9’, ele não é um ‘dedo duro’ (termos para bufo)”, sublinhou, referindo que o réu tem de assumir a culpa pelos seus crimes.

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