ANGOLA. Luaty Beirão, um dos 17 activistas condenados por suposta e nunca provada rebelião, disse hoje não ter qualquer expectativa sobre o congresso do MPLA e que a única surpresa seria José Eduardo dos Santos não ser candidato em 2017.

Luaty Beirão falava em Luanda numa conferência de imprensa convocada pelos activistas para denunciar o “encarceramento bárbaro” que viveram desde Junho de 2015, até à libertação provisória em Junho passado. Como esperado, a fina flor do entulho que rumou de Portugal para beijar a mão de sua majestade o rei de Angola, nem sequer sabe quem são, e o que se passou, com estes activistas.

O encontro com a imprensa realizou-se com poucos minutos de diferença para a intervenção que José Eduardo dos Santos, também em Luanda, na sessão de abertura do congresso ordinário do MPLA, partido que lidera desde 1975.

“Qual é a expectativa? Nenhuma, rigorosamente nenhuma. É mais um daqueles conclaves de velhos que não dizem nada, repetem e repetem a mesma história (…) mas nunca saem da cepa torta, já são 40 anos e por esta altura eu, que levo 34, já não estou à espera de nenhuma surpresa ou novidade”, disse Luaty Beirão, questionado pelos jornalistas.

“A surpresa deste congresso seria se o José Eduardo anunciasse que, contrariamente à suposta vontade dos seus militantes, não irá ser cabeça-de-lista do MPLA nas próximas eleições. E isso não vai acontecer”, vaticinou Luaty Beirão.

“Se pensarmos que isto é um tabuleiro de xadrez, podemos pensar que a jogada do adversário foi muito astuta. Conseguiu, ou pensa conseguir, com um único movimento, limpar a sua imagem, sair por cima como o benévolo e passa para baixo do tapete um caso que manchou a imagem da nossa Justiça”, criticou Luaty Beirão a propósito da lei da amnistia que também os engloba.

“Podemos dizer que foi uma jogada de mestre, mas nós estamos a estudar a possibilidade de a recusar [amnistia]. Porque aparentemente é possível, e se for possível vamos recusar, queremos levar isto até ao fim e temos convicção na nossa inocência. Pelo menos uma boa parte de nós tenciona abdicar dessa amnistia”, disse ainda Luaty Beirão.

“Eu não cometi nenhum crime, não devo ser amnistiado. Quem deve ser amnistiado é o juiz da causa. Vou até às últimas consequências contra este regime de José Eduardo dos Santos”, criticou Manuel ‘Nito Alves’, outro dos 17 activistas.

Partilhe este Artigo