VEJA O VÍDEO. ENTREVISTA EXCLUSIVA COM BONGA. Mais de 40 anos depois de ter iniciado uma carreira que o tornou um vulto emblemático da Lusofonia, e não só, com destaque para o semba e os ritmos angolanos, tendo produzido quase o mesmo número de discos, Bonga lança novo álbum: “Recados de Fora” (2016).

As raízes musicais de base convivem com o fado e morna. Liricamente, contém mensagens de intervenção sobre o seu país natal e sobre África em geral. A apresentação está marcada para hoje, às 21h30, no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa.

José Adelino Barceló de Carvalho, 74 anos feitos em 5 de Setembro, sempre teve mas hoje, talvez, tenha mais coisas para dizer aos angolanos em particular. E di-las a cantar. Depois de Bairro (2008) e Hora Kota (2012), Recados de Fora (também editado pela Lusáfrica) mistura português e kimbundu e inclui até uma versão do tema Sodade, meu bem, sodade, do brasileiro Zé do Norte (1908-1979).

Bonga, por exemplo, foi condecorado no dia 10 de Dezembro de 2014, em Luanda, pela embaixada de França com as insígnias de Cavaleiro na Ordem das Artes e Letras. A distinção honorífica destina-se em recompensar pessoas que se distinguiram pelas suas obras no domínio artístico.

Bonga, nascido em Kipiri, província do Bengo, é considerado pela voz do Povo (que é a voz de Deus mas, por isso , raramente é a voz de quem está no Poder) embaixador da música angolana. Já foi galardoado internacionalmente com vários prémios ao nível da música, assim como recebeu discos de ouro e de platina, além de actuar em importantes palcos mundiais.

Recorde-se que “Bonga” tem manifestado a sua tristeza por, por exemplo, Portugal nunca ter reconhecido o seu trabalho. Isto porque grande parte da sua carreira foi feita em Portugal.

“Eu não quero forçar nada. Quero é que me chamem”, afirma. Admite que por “não entrar em cambalachos”, na área da promoção dos espectáculos, só “de vez em quando” actua agora em Portugal.

Autor e intérprete de música tradicional angolana, “Bonga” atingiu o topo da carreira internacional na década de 1980, e tornou-se no primeiro artista africano a actuar a solo, e em dois dias consecutivos, no Coliseu dos Recreios, em Portugal.

A distinção que recebeu de França, país que diz que lhe “abriu as portas” e língua em que lançou o primeiro trabalho em 1975, contrasta com algum esquecimento a que a “Mariquinha” ou a “Currumba” – temas popularizados e ícones da carreira de “Bonga” – ficaram votados em Portugal.

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