ANGOLA. A cerveja estrangeira foi um dos produtos mais afectados pela crise em Angola, com a importação a cair mais de 87% no primeiro trimestre deste ano, em termos homólogos, segundo recentes dados das autoridades angolanas.

Tendo em conta o mais recente relatório do Conselho Nacional de Carregadores (CNC) – tutelado pelo Ministério dos Transportes e que coordena as operações de comércio e transporte marítimo internacionais -, nos primeiros três meses do ano foram importados o equivalente a 8.101 toneladas de cerveja de malte.

A cerveja foi o 25º produto mais importado naquele período, com uma quota total de 0,51% das importações, peso que contrasta com as compras ao exterior feitas nos primeiros três meses de 2015, que ascenderam a 63.113 toneladas. No primeiro trimestre de 2015, a cerveja foi o 8.º produto mais comprado por Angola, com uma quota de 2,63%.

A queda do início de 2016 é ainda superior (-93%) quando comparado o primeiro trimestre com os últimos três meses de 2015, período em que Angola importou 123.293 toneladas de cerveja.

Devido à progressiva quebra na cotação internacional do petróleo bruto, Angola vive desde o final de 2014 uma profunda crise financeira e económica, também com consequências cambiais. Este cenário tem dificultado as importações, por falta de divisas, mas também pela crise generalizada no país.

A importação de bebidas, segundo dados do executivo angolano, cifrava-se anualmente em cerca de 400 milhões de dólares (356 milhões de euros) antes da crise, mais de metade proveniente de exportações de empresas portuguesas, nomeadamente cerveja.

Contudo, tendo em conta a capacidade instalada das fábricas nacionais, que já então não estava a ser utilizada, e como forma de dinamizar a produção local, o Governo angolano anunciou para 2015 um sistema de quotas à importação de bebidas, o qual não chegou a ser implementado.

Entretanto, a crise generalizada e a falta de divisas acabaram por reduzir fortemente, e de forma natural, as compras ao exterior. No caso das cervejeiras portuguesas, ainda com as promessas de construção de fábricas próprias em Angola por concretizar.

No sentido oposto, a cerveja da marca Bela, produzida pela Lowenda Brewery Company, do grupo China International Fund (CIF), chegou ao mercado há cerca de um ano, aumentando a produção nacional, que foi reforçada já este ano com a marca Tigra, do grupo angolano Refriango, líder nacional no sector das bebidas.

Além da cerveja, Angola importou ainda, nos primeiros três meses de 2016, mais de 8.157 toneladas de vinho – em que Portugal é igualmente o maior fornecedor nacional -, o que compara com as 22.257 toneladas do primeiro trimestre do ano anterior e com as 96.507 toneladas dos últimos três meses de 2015.

Fonte: LUSA

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