O professor Alexandre Garbuze, da Universidade Agostinho Neto, é acusado de atitudes racistas. “Não sou da vossa cor. Vocês negros, não pensam”, diz, quase sempre, aos estudantes, alegando ter protecção superior da decana da faculdade.

Por Dionísio Halata

A juventude é a força motriz de qualquer sociedade. Esta é uma altura em que Angola denota uma enorme carência de quadros especializados nas áreas técnicas. O Executivo liderado por José Eduardo dos Santos aprovou o Plano Nacional de Formação de Quadros, uma importante estratégia visando o aumento da oferta formativa e, concomitantemente, a melhora da qualidade de ensino e formação.

No entanto, na Faculdade de Engenharia, da Universidade Agostinho Neto (UAN) as coisas parecem não alinhar por este diapasão, pois os estudantes denunciam a existência de práticas discriminatórias, por parte da Direcção, e racistas, por parte do chefe de ciclo básico e regente das cadeiras de Física II e III, Alexandre Garbuze, de nacionalidade ucraniana.

O professor Alexandre Garbuze é acusado de atitudes racistas. “Não sou da vossa cor. Vocês negros não pensam”, diz, quase sempre, aos estudantes, alegando ter protecção superior da decana da faculdade.

“A tal decana é conivente e tem abusado do poder que lhe foi conferido pela Reitoria da Universidade Agostinho Neto, tomando decisões que prejudicam os estudantes e usando, também, expressões como «enquanto eu estiver aqui, não terão os vossos problemas resolvidos, mesmo que recorram ao Senhor Presidente da República», numa clara evidência de que, para ela, nós jamais somos tidos nem achados”, afirmam os alunos.

A Faculdade de Engenharia regista enormes dificuldades, tais como falta de professores do ciclo básico, constantes desaparecimentos de notas dos estudantes, que são obrigados a repetir as referidas cadeiras, pautas com um elevado índice de reprovação, numa percentagem que atinge os 90 por cento, sobretudo nas cadeiras ministradas pelo professor Alexandre Garbuze, que jamais são averiguadas pela Direcção, a fim de se corrigirem as irregularidades.

“Há um mês, uma semana antes da realização das provas de exames do Iº trimestre, foram enviadas algumas listas aos diversos departamentos da Faculdade, nas quais se anunciava o congelamento das matrículas dos estudantes com cadeira no ciclo básico (1º e 2º anos)”, explicam os “futuros” engenheiros.

Visto que a medida afectou principalmente estudantes que frequentam o 3º, 4º e 5º anos, os alunos questionaram porque só agora a Direcção da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto tomou esta decisão.

“Deixaram-nos gastar as parcas economias das nossas pobres famílias, que sobrevivem, na maioria, através da venda à retalho da água, petróleo e outras coisas, deixando os nossos irmãos com fome a fim de garantirem apenas o nosso táxi e a compra ou fotocópia de materiais didácticos! Quem devolverá os nossos gastos? Não impediram as nossas matrículas no início do ano porquê?, perguntam, já agastados e descontentes com os responsáveis da aludida instituição pública de ensino superior.

Para além disso, consta ainda que estudantes dos vários cursos ministrados na Faculdade de Engenharia estão a ser expulsos por prescrição, uma lei aprovada pelo Senado Universitário, em 2000, altura em que o País atravessava um período de conflito político-militar interno, mostrando, assim, desajustada ao actual contexto.

A lei da prescrição está a colocar muitos estudantes fora do sistema de ensino e a matar o sonho dos referidos jovens por uma Angola melhor, cortando o contributo que tais engenheiros poderiam dar à Nação, já que a Faculdade nega-lhes a formação.

“Se a Faculdade de Engenharia existe para formar o cidadão, mas expulsa-os, quem nos formará?, questionam os mesmos, que tiveram de recorrer ao Governador da Província de Luanda, para que influencie a Comissão do Senado Universitário para os ajudar a encontrarem uma possível solução para o mau clima que se instalou na Faculdade de Engenharia da UAN.

“O que queremos é uma escola de excelência, não uma Faculdade onde os estudantes jamais são ouvidos nem achados, onde a Direcção nunca dialoga e nem se mostra interessada em encontrar um ponto comum com os pupilos, para o bem da referida Faculdade. Esperamos que, em breve, possamos ter de volta o sorriso estampado nos rostos, pois tem sido difícil dormirmos, só de pensar na triste situação estudantil que atravessamos, actualmente. Só queremos estudar”, reafirmam os alunos.

“Respeitando a hierarquia, aos 13 de Junho do corrente ano, endereçamos uma carta à Direcção da Faculdade, onde pedimos uma audiência, a missiva nem sequer foi recebida! No dia 14, escrevemos à Reitoria da Universidade, até agora jamais tivemos quaisquer resposta. Em Julho, um dos vice-decanos da Faculdade chamou-nos e referiu que o nosso problema seria equacionado, mas tínhamos de aguardar pelo despacho, mas tal despacho nunca foi despachado! Tratou-se, em nosso entender, de uma simples manobra de distracção, a fim de não recorrermos às instâncias subsequentes”, disseram os estudantes ao Folha 8, que tem tentado, sem sucesso, o contacto com os responsáveis da aludida unidade orgânica da UAN.

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