Terminou hoje, 24 de Julho de 2016, a visita de José Marcos Mavungo, activista dos direitos humanos, a Benguela, enquadrada no quadro da campanha de solidariedade levada a cabo pelo Grupo de Trabalho e de Monitoria dos Direitos Humanos (GTMDH).

Na agenda da visita, estava programado um encontro com os Jornalistas e um debate sobre a situação dos Direitos Humanos em Cabinda, a participação na manifestação que tinha por objectivo “exigir medidas eficazes contra a inflação e a actual carestia da vida”, entre outras actividades.

Programada pelo Movimento Revolucionário de Benguela, sob o lema “Inflação e políticas ineficazes do Governo de Angola”, esta manifestação deveria ter lugar ontem, 23 de Julho, com a concentração pelas 13 horas junto ao Liceu de Benguela e com um percurso que terminaria no Largo da Peça. A manifestação teve o apoio da OMUNGA.

No dia 21 de Julho, José Marcos Mavungo teve um encontro com os jornalistas de manhã; e, à tarde, falou para uma sala com mais de 400 participantes, sobre os Direitos Humanos em Cabinda.

Mas, no sábado, 23 de Julho, a cidade de Benguela, arredores e, inclusive Lobito, onde mora o Coordenador da OMUNGA, José António Martins Patrocínio, dormiram e despertaram com um número elevado de efectivos da Polícia, dispostos ao longo de todas as artérias das duas cidades, em especial no Liceu de Benguela e no Largo da Peça, e apoiados por unidades caninas e outras forças policiais (provavelmente a Polícia de Intervenção Rápida). As viaturas eram interceptadas e vasculhadas pelos agentes da Polícia.

Por volta das 12 horas, foram detidos 23 activistas do Movimento Revolucionário, incluindo o motorista da Organização Humanitária Internacional (OHI), Venâncio Francisco Maliengue, que apoiava os activistas de Lobito à Benguela no seu transporte. A viatura da OHI, que apoiava a deslocação de José Marcos Mavungo foi também apreendida.

Porém, os jovens não se deixaram intimidar. Por volta das 13 horas, teve início a manifestação, no Município de Benguela, no Largo do Liceu, onde, após alguns momentos de desfile, foram detidos 13 activistas aí presentes, totalizando assim 36 activistas detidos.

Às 14 horas, os activistas foram levados ao Comando Municipal da Polícia e só foram postos em liberdade, por volta das 19 horas. Mas a viatura continua ainda detida com a orientação de poder ser devolvida à OHI amanhã, dia 25 de Julho.

Em suma, as cidades de Benguela e Lobito estiveram a ferro e fogo, mergulhadas num clima de intimidação e de insegurança, tendo o regime intimidando todos que, eventualmente, viessem a participar da actividade, contrariando o direito de reunião e manifestação, previsto no artigo. 47º da Constituição da República de Angola.

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