A Sonangol, empresa do regime de José Eduardo dos Santos, garantiu mais de 65% das receitas que o Estado angariou em Junho, totalizando 84.659 milhões de kwanzas (465 milhões de euros), indicam dados do Ministério das Finanças.

Estes valores comparam com os 58.393 milhões de kwanzas (320 milhões de euros) arrecadados em Maio, reflectindo um aumento mensal de 44,5%. No mês de Maio, o peso da concessionária angolana nas receitas petrolíferas do Estado foi de 60%.

O relatório do Ministério das Finanças relativo a Junho indica que a Sonangol teve receitas em nove das 11 concessões petrolíferas contabilizadas no documento.

O barril exportado por Angola no primeiro semestre do ano chegou a valer apenas 28 dólares, contra os 45 dólares que o Governo previa arrecadar, segundo o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2016.

“Com este nível de preços, a Sonangol ficou sem condições de garantir os recursos para o OGE”, explicou a 22 de Junho passado o Presidente e pai da Presidente do Conselho de Administração da empresa, José Eduardo dos Santos, especificando que “desde Janeiro o Governo deixou de receber receitas da Sonangol porque ela não está em condições de o fazer”, numa aparente alusão aos compromissos da concessionária estatal com o seu próprio endividamento e despesas de funcionamento.

A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) passou em Junho a ter Isabel dos Santos, a princesa herdeira do trono, como Presidente do Conselho de Administração, no âmbito de um processo apresentado comode reestruturação do maior grupo empresarial angolano.

Cada barril de crude produzido em Angola custa actualmente em média 14 dólares, valor que a nova administração da concessionária estatal Sonangol quer reduzir para “oito a dez dólares”.

A posição foi transmitida a 9 de Junho pelo presidente da comissão executiva da Sonangol, Paulino Jerónimo, questionado no final de uma reunião na sede da empresa com as administrações das petrolíferas internacionais que operam em Angola.

Estas disponibilizaram-se para participar no processo de redução de custos, no âmbito da reestruturação e ganhos de eficiência anunciados por Isabel dos Santos para a concessionária estatal.

“Tendo em conta todos os operadores, o nosso custo em média [por barril] é de 14 dólares e dito isso devem compreender que precisamos de fazer um esforço maior em termos de redução. [O valor desejado pela Sonangol é] oito a dez dólares”, disse ainda o administrador executivo da petrolífera do regime no final de uma reunião em que participou igualmente a PCA, Isabel dos Santos.

Angola é o maior produtor de petróleo da África, com cerca de 1,7 milhões de barris de crude produzidos diariamente no ‘onshore’ e ‘offshore’. Contudo, o aumento da produção nos últimos meses contrasta com a quebra na cotação do barril de crude no mercado internacional, que caiu dos mais de 100 dólares em 2014 para menos de 30 no início deste ano, cifrando-se nos últimos dias nos 45.

Daí que, enfatizou o presidente da comissão executiva da Sonangol, a redução de custos seja “muito importante”, tendo em conta que, sem isso, “qualquer projecto em Angola, neste momento, não terá sucesso”.

“Necessariamente, os custos de produção terão que ser reduzidos para permitir novos projectos”, sustentou Paulino Jerónimo, afastando “de princípio” a necessidade de revisão dos contratos de partilha de produção com as operadoras.

Produção continua em alta

Um único bloco no ‘offshore’ angolano vendeu em Junho quase 1.000 milhões de dólares e mais de 21 milhões de barris de petróleo, indicam dados do Ministério das Finanças.

Em causa está a actividade do bloco 17, na bacia do Congo, operado pela francesa Total e que inclui vários campos e poços em águas profundas, sendo actualmente o mais rentável de Angola.

Neste bloco, onde está localizado o denominado campo Girassol, a maior descoberta de reservas de petróleo em Angola, foram produzidos em Junho 21.861.011 barris de crude, exportados por sua vez a um preço médio de 44,11 dólares, o valor mais alto do ano.

Tendo em conta estes dados do Ministério das Finanças, o bloco 17 terá facturado em Junho quase 965 milhões de dólares (879 milhões de euros), sendo que o relatório confirma que representou, em receitas fiscais de todo o mês, 47.031 milhões de kwanzas (258 milhões de euros).

Segundo os dados referentes a 11 blocos de produção, Angola vendeu em Junho 54.064.324 barris de petróleo, um aumento de mais de dois milhões de barris face a maio, a um preço médio de 45,2 dólares, o que totaliza vendas globais de mais de 2,4 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros) num mês.

As receitas fiscais com estas vendas ascenderam a 127.091 milhões de kwanzas (697 milhões de euros), sendo Junho o melhor mês do ano, de acordo com o histórico.

Com uma área total de exploração de 4.928 quilómetros quadrados, a actividade de exploração no bloco 17 arrancou, segundo a Sonangol, concessionária estatal para o sector petrolífero, em Janeiro de 1993 e decorreu até Dezembro de 2003, iniciando-se mais tarde a produção.

A francesa Total, que opera este bloco, é responsável por 40% (mais de 700 mil barris por dia) da produção de petróleo de Angola e anunciou em Julho de 2015 um investimento de 10 mil milhões de dólares (9,1 mil milhões de euros) na actividade no país até 2018.

Folha 8 com Lusa

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