E se Hillary Clinton Vencer? E se Donald Trump vencer? Que repercussão poderá ter o resultado das eleição do próximo Presidente dos Estados Unidos da América em Angola?

Por Domingos Kambunji

Será mínima ou nula, pensamos nós. Todavia, cremos, o “reigime” angolano orienta as suas preferências para uma vitória de Donald Trump. Ele é o “amigo americano” a quem o MPLA pagou a organização de um concurso de Miss Universo, por coincidência vencido por uma angolana, em Luanda, capital de um país que é líder mundial em mortalidade infantil e em muitas epidemias provocadas pela negligência, nepotismo e incompetência de um governo corrupto.

A empresa Miss Universo do Donald Trump não veio a Angola matar a fome dos pobres, veio alimentar o ego dos novos ricos e lucrar com a negociata das meninas muito sexis.

E porque prefere o MPLA a vitória de Trump. Todos sabemos que Barack Obama, de quem Hillary Clinton poderá ser uma seguidora, é pessoa não grata do “reigime” angolano, apesar de o actual presidente norte-americano ser muito admirado e respeitado pela grande maioria dos angolanos.

Todos nos recordamos do discurso de Barack Obama na União Africana, criticando directamente os presidentes africanos déspotas e corruptos, como são os casos de Dos Santos, Obiang ou Mugabe. Como é que os “altos dirigentes” do MPLA reagiram a esse discurso? Metendo o rabo entre as pernas. Que cobertura foi dada nos órgãos oficiais do MPLA (JA, TPA, RNA)? Nenhuma, porque a verdade incomoda e pode desmascarar a demagogia que silencia, manipula e reprime a opinião pública de muitos angolanos.

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Eduardo dos Santos prefere a demagogia de Trump e não a seriedade de Clinton

Na verdade Dos Santos prefere a demagogia de Trump, seu sósia, em vez da defesa dos direitos humanos e da dignidade dos cidadãos, no que se tem destacado Barack Obama e Hilary Clinton, para a melhoria dos mais desfavorecidos, desde os primeiros anos como advogada nos Estados do Arkansas e Massachusetts.

O resultado das eleições americanas terão pouca ou nenhuma influência em Angola, no curto e médio prazo, porque todos sabemos a situação em que se encontra o nosso país. O governo de Angola está altamente endividado e vendido à ditadura de Vladimir Putin e preso nos tentáculos dos empréstimos do polvo financeiro da China que, no que se refere a “parcerias estratégicas”, está-se borrifando para os valores democráticos para poder tirar o máximo beneficio de “parcerias de interesse exclusivamente unilateral”.

Um exemplo disso são as “parcerias bilaterais” em que a China empresta o kumbu, ficando Angola obrigada a aceitar a mão de obra chinesa para efectuar os serviços, importando matéria prima, com mais valias incorporadas, do país financiador em troca de recursos naturais de Angola, sem mais valias, não transformados.

Se os empréstimos não fossem em grande parte abifados pelos “generais e generalas kapercentagem do reigime”, Angola estaria num patamar de desenvolvimento muito destacado. Não existiria uma percentagem tão elevada da população, mais de 10 milhões de pessoas, a viverem em pobreza absoluta, sem o mínimo de dignidade humana.

Recordemo-nos o que aconteceu na Alemanha e no Japão, entre muitos outros exemplos, depois da segunda guerra mundial, com os planos de desenvolvimento económico e social.

Um exemplo da incompetência e da corrupção do “reigime” de Angola revela-se no facto de andar a pedir dinheiro emprestado ao estrangeiro com taxas de juro superiores a 20%, para tentar pagar o “fiado”.

Antes da intervenção do Banco Europeu, quando alguns países da Europa andavam a negociar empréstimos com juros de 8 a 10%, isso era considerado pelos economistas como catastrófico. Que dizer dos empréstimos com juros superiores a 20% que o governo de Angola está a negociar?

O futuro de Angola está altamente comprometido pelo “sanzaleirismo” e corrupção dos actuais patrulheiros, com as mãos exageradamente manchadas do sangue da guerra. O desenvolvimento de Angola deverá depender principalmente das novas gerações, se elas forem capazes de ser inteligentes, libertando-se das teias de controle económico e social dos senhores da guerra. Isso levará muito tempo a acontecer, especialmente porque a sociedade está alicerçada em ideais e valores ocos, podres. Os que actualmente tentam apresentar-se como líderes nem sequer conseguem ser minimamente competentes como chefes ou capatazes.

É por tudo isto que acreditamos que a eleição do próximo presidente dos Estados Unidos da América terá pouca ou nenhuma influência na melhoria da qualidade de vida de povo angolano e no desenvolvimento construtivo sustentado do nosso país.

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