ANGOLA. Ponhamo-nos no lugar do partido do poder. Depois de ter batotado alta e poderosamente em plena impunidade nas eleições de 2008 e de 2012, o problema agora é como evitar que a verdade venha ao de cima, como azeite em água parada, isto é, conseguir obter uma percentagem próxima dos 70 ou 82% sem batotar.

Uma possibilidade seria executar o mesmo plano que tanto sucesso teve nesse ano de 2008 e foi cuidadosamente aprimorado nas eleições gerais de 2012, quer dizer, implantar condições para poder batotar uma vez mais. Mas os riscos são muito grandes e parece estabelecido que não é por aí que o gato do MPLA irá às filhós.

Outra solução seria a de não fazer batota nenhuma, mas aí, os riscos ainda são maiores, pois é mais que certo que a queda do MPLA nesse caso será tão grande que talvez nem sequer dê para ultrapassar a fasquia dos 50% de votos na primeira volta, embora seja de esperar que, na sua desastrosa queda de popularidade, o MPLA possa obter uns 40% a 50% de votos, o que será quanto baste para esse partido ser largamente maioritário em relação a qualquer outro.

Estamos em crer que sem batota a queda poderá ser ainda maior. Vamu fazê kumentão?, devem questionar os cozinheiros do ÉME e, de facto, não vai ser fácil.

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