CABO VERDE. O ministro da Cultura de Cabo Verde estimou hoje entregar dentro de um ano a candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade, contando neste processo com a ajuda da equipa que preparou a candidatura portuguesa do fado.

Em declarações aos jornalistas, na cidade da Praia, à margem da apresentação do logótipo da candidatura, Abraão Vicente explicou que, nesta fase, o Instituto do Património Cultural (IPC) está a fazer a recolha de todos os dados e que, brevemente, será assinado um protocolo com Portugal para o apoio técnico à candidatura.

“É preciso ter material bibliográfico, provar que há estudos acerca da morna, que há locais onde a morna ainda acontece como um ritual quotidiano, a sua origem e enraizamento na cultura cabo-verdiana, que há um conjunto de pessoas que tocam, que há instrumentistas, que se continuou a produzir. É mais ou menos o mesmo processo que levou o fado a Património da Humanidade” da organização das Nações Unidas para a Ciência e Cultura (UNESCO), disse Abraão Vicente.

“Na minha próxima missão a Lisboa iremos firmar formalmente um protocolo com Portugal no sentido de vir a equipa técnica para formalizar a candidatura e fazer a entrega na UNESCO no período máximo de um ano”, acrescentou o ministro da Cultura e Indústrias Criativas.

O ministro adiantou ainda que, até à entrega formal para avaliação da candidatura, Cabo Verde levará a cabo “um conjunto de acções de charme” em vários países com a realização de vários espectáculos com artistas cabo-verdianos.

Prevista está também a realização de “grandes festivais” da morna em Nova Iorque, Lisboa e Paris com o objectivo de divulgar o potencial da morna.

“Cá dentro temos essa consciência, mas lá fora podem não ter totalmente essa dimensão”, disse Abraão Vicente, reconhecendo que se trata de um “dossiê complexo”, mas que conta com o apoio de Portugal, Espanha, França e Luxemburgo.

O logótipo “Morna a Património Cultural Imaterial da Humanidade” foi escolhido através de um concurso público e a proposta vencedora, da autoria do licenciado em Comunicação e Multimédia Ednezer Mestre, inspira-se nos versos do poeta Eugénio Tavares sobre “o ter que partir e quer ficar”.

O desenho junta, segundo o autor, o “barco da emigração e a guitarra da morna”.

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