A Polícia Nacional do MPLA, quando era suposto socorrer as vítimas, faz o inverso, partindo para a extorsão, com base no conhecimento prévio que tem do apelo de socorro.

Como atesta a denúncia, que acusa o comandante da Polícia de Intervenção Rápida do Zango e um técnico da Administração de posse indevida de terreno, que deveria proteger, no quadro das suas obrigações profissionais.

As entidades foram instadas pelo grito desesperado de um cidadão, como atesta a carta abaixo:

“À Administração de Viana
C/C: Posto de Comando Policial de Viana,
ao Posto Comando Unificado e GADAHKI

ASSUNTO : INVASÃO DE PARCELA AGRÍCOLA

Os nossos Renovados Cumprimentos.

A exemplo dos concessionários do GADAHKI , que têm sido importunados na prossecução dos seus objectivos por elementos que fazem recurso a actos de vandalismo , ocupando de forma ilegal os respectivos espaços destinados para fins agrícolas e havendo necessidade em se repor a legalidade, face à situação atentaria às disposições legais que se assistem nas referidas parcelas .

Conforme o solicitado recorremos os bons ofícios de V / Excia , para autorizar os serviços do Posto Comando Unificado no auxílio ao Sr. Jeremias Agostinho, legitimo concessionário registado sob o nº 847/07 de 22 de Maio , conforme consta na base de dados deste Gabinete.

Sem outro assunto de momento, reiteramos as nossas cordiais saudações.”
carta-zango

Esta foi a carta enviada às autoridades, segundo Antónia Stella, viúva de Jeremias Agostinho, que reivindica a posse de cerca de 4 hectares, localizados no Zango 4, em Viana, por detrás das instalações do Tribunal Julgado de Menores e da zona adjacente à Escola Policial do Kikuxi, que havia sido cedida pelo Gabinete de Desenvolvimento e Aproveitamento Hídrico do Kikuxi (GAHDAKI ), como atesta o edital, deste organismo, publicado no dia 05 de Julho de 2016, conferindo a posse para exploração agrícola à Jeremias Agostinho, igualmente enviado a PCU, ADMINISTRAÇÃO DE VIANA e ao COMANDO DA POLICIA DE VIANA .

No entanto, quando menos se esperava, os órgãos que deveriam curar de evitar a invasão do espaço, tornaram-se eles próprios os invasores, através dos seus mais altos responsáveis, denunciados pelos lesados, nomeadamente, o comandante da Policia de Intervenção Rápida do Zango 4, Gonçalves Moko e o Eng. Júlio do Gabinete Técnico do Comando Geral e o subcomissário Gelson, que iniciaram a vedação do espaço invadido a seu favor.

E para consumarem o ilícito partiram para a intimidação da família, no sentido de “manterem o bico calado, se não quiserem dançar no “condomínio dos pés juntos” (cemitério), pois nós temos imunidade e vocês não são nada, senão povo”, alegado teor de uma das mensagens, segundo as vítimas.

Estas dizem também, haver agora intenção dos invasores, de “colocarem o terreno na esfera da Carreira de Tiro, para assim branquearem o seu crime de invasão e roubo de terreno alheio, sendo eles autoridades policiais, que deveriam dar o exemplo”, tal como já o fizeram noutras parcelas, em que expropriaram camponeses e ergueram empreendimentos seus, denunciam.

Os polícias quando se deslocam ao local levam um forte aparato, em três viaturas com homens fortemente armados “e de forma cobarde implicam-se com o uso de telefone de terceiros. Há um erro visível neste assunto que o Comandante Adelino responsável pela PIR e comparsas não se terão apercebido, quiçá em função da vontade de usurpar, pois além do parecer favorável do GADAHKI à JA, a forma ou métodos utilizados pelos Policias faz com que qualquer cidadão atento note que há violação de normas administrativas e legais”.

Com mais este caso, envolvendo polícias, que agem como se fossem delinquentes, a corporação ainda não tomou nenhuma providência, mas a Associação Mãos Livres, promete levar o caso até às últimas consequências judiciais em defesa de Antónia Stella, constituinte que busca por justiça, pese o espaço estar a ser controlado por agentes policiais, a serviço de interesses particulares e não públicos.

Quando alguém pergunta a razão de tanta força no local, alegam estarem a preparar a instalação de uma esquadra policial móvel, devido à onda de criminalidade. Felizmente, no caso, parece estarem identificados os criminosos.

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