Angola registou, desde Janeiro a Setembro do presente ano, mais de 160 mortes por raiva, segundo a informação prestada à imprensa, pela bastonária da Ordem dos Médicos Veterinário, Antonieta Baptista.

Por Antunes Zongo

A veterinária, que falava por ocasião do Dia Mundial de Luta Contra a Raiva que se comemorou ontem, deixou explícito que a actual situação é alarmante e a tendência, disse, é de haver nos próximos tempos, um aumento considerável de casos e mortes, por causa da falta de vacinas contra a raiva para humanos.

De acordo a referida profissional de saúde, boa parte das mortes por raiva acontecem por falta de informação sobre a doença, que é muitas vezes confundida com outras patologias como a malária cerebral.

Outros ainda dão entrada tardiamente nos hospitais onde pouco ou nada se pode fazer, já que as unidades sanitárias públicas debatem-se com a escassez da vacina para acudir às populações que lá acorrem.

“A situação da raiva no país é alarmante. Os casos que avançamos são apenas os reportados. Há outros tantos casos que não chegam às estatísticas. Em muitos hospitais estão a confundir a raiva com a malária cerebral por apresentarem os mesmos sintomas. Precisa-se de muito trabalho porque a situação é endémica”, referiu.

Para a bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários, o quadro é mais preocupante nas províncias de Luanda e da Huíla. Dados destas duas parcelas do território nacional indicam o registo de cerca de 60 casos, tendo cada uma reportado 30 ocorrências. A nível de Luanda, a situação é mais densa no município de Cacuaco, onde só no primeiro semestre deste ano foram registadas mais de mil mordeduras por animais vadios.

Porém, de forma a minimizar a situação, já que não há vacinas para as pessoas, Antonieta Baptista entende ser urgente o retorno às campanhas massivas de vacinação de animais. “É preciso que se vacine os animais para se evitar que as pessoas apanhem raiva caso sejam mordidas” sugeriu.

Dia Mundial Contra a Raiva

O Dia Mundial Contra a Raiva, realizado no dia 28 de Setembro de cada ano, é uma iniciativa da Aliança para o Controle da Raiva, uma entidade não-governamental supranacional que, junto dos países em que a raiva ainda constitui problema de saúde pública, concentra esforços de profilaxia e esclarecimento sobre a mesma.

A Aliança para o Controle da Raiva tem sede na Escócia (Reino Unido) e tem por finalidade empreender campanhas por todo o mundo com o fim de incrementar o combate à raiva. Foi fundada em 2007, e de lá para cá tem-se batido fortemente na luta contra a raiva – uma doença infecciosa que afecta os mamíferos, causada por um vírus que se instala e multiplica primeiro nos nervos periféricos e depois no sistema nervoso central e dali para as glândulas salivares, de onde se multiplica e propaga. Por ocorrer em animais e também afectar o ser humano, é considerada uma zoonose.

A transmissão dá-se do animal infectado para o sadio através do contacto da saliva por mordedura, lambida em feridas abertas, mucosas ou arranhões. Outros casos de transmissão registados são pela via inalatória, pela placenta e aleitamento e, entre humanos, pelo transplante de córnea.

No entanto, de acordos alguns veterinários de reconhecida idoneidade internacional, após uma mordida virulenta e um período de incubação mais ou menos longo (15 a 60 dias), surgem, visíveis nas alterações do comportamento do cão, os primeiros sintomas da doença. Ele (cão) torna-se triste, melancólico ou muito alegre e carinhoso. Ainda obedece e não tenta morder, mas já é perigoso, uma vez que a saliva contém o mal. Depois a sua agitação aumenta; se a doença assumir a forma furiosa, haverá acessos de alucinação; o animal fica parado, late, abocanha moscas inexistentes, rasga almofadas, tapetes e cortinas, arranha o chão e come terra.

No caso do homem, caso seja mordido e submetido a internamento hospitalar, deve ser mantido em isolamento, num local com baixa luminosidade e incidência de ruídos; não pode receber visitas e apenas se permite a entrada de profissionais envolvidos no tratamento, com uso de equipamentos de protecção individual.

Sem tratamento específico, a raiva comporta terapia de suporte: alimentação por sonda nasogástrica, hidratação, controle de distúrbios electrolíticos e ácido-básicos, da febre e dos vómitos; uso de betabloqueadores na hiperactividade simpática, entre outros.

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