Decorreu na sede da UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, o lançamento do livro “Favos de Mel – Salalé três três – Os Reis do Kongo-Angola”, da escritora angolana Kiesse/Olo, apresentado por Eugénio Costa Almeida, investigador do ISCTE-IUL.

Aobra agora dada à estampa com o título “Os Reis do Kongo-Angola”, evoca a cultura e os costumes dos povos de Angola, bem como a actual realidade política daquele país. A receita obtida com a venda do livro vai reverter para o desenvolvimento de projectos nas áreas da saúde e da cultura, a favor das crianças em Portugal e em África.

Na ocasião, a autora, Kiesse/Olo, convidou os presentes a dar as mãos e entoou um Hino de meditação pela Paz, apelando à reposição dos direitos consuetudinários dos povos, tanto em Portugal como em África.

“… Mas, ao mesmo tempo que Kyesse/Olo (ou Kyese) manifesta os seus amores terrenos e antropológicos, grita, também, por aquilo que ela vê, vislumbra, estarem a fazer na sua (nossa) pátria-mãe: Angola. E grita um forte não para aqueles que se deixam acomodar no silêncio cúmplice do “deixa andar”, afirma Eugénio Costa Almeida.

Para Eugénio Costa Almeida, “esta obra de Kyese é a um tempo, um misto de prosa e poesia, ou, mais concretamente uma escorreita prosa lírica complementada com uma poesia de amor e intervenção.”

A autora, segundo Eugénio Costa Almeida, “começa por nos oferecer a sua visão da matrilinealidade do sistema social (e, não poucas vezes, político) africano, a África de Ntotele, e com esta o suporte de uma civilização africana em que os regimes matrilinear e patrilinear nunca souberam bem conviver, dado que a primazia da primeira é a sã convivência entre os Povos, enquanto a segunda (patrilinear) assenta sobre uma visão autocrática, autoritária, totalitária, contrária aos ancestrais princípios de liberdade que sempre nortearam os Povos africanos (apesar, reconheça-se e sublinhe-se, que nas suas disputas bélicas – sejam por razões sucessórias, sejam por motivos de expansão territorial – estes princípios, muitas vezes, eram esquecidos em nome de aquilo que poderíamos designar de valores maiores, onde, e como, a submissão forçadas de outros povos e, por vezes, de familiares próprios, emergiam quase como uma vitória e como um sustentáculo dos poderes de algumas elites governativas da altura – qualquer semelhança com alguma certa actualidade é mera coincidência, ainda que Kyese/Ôlo não o apresente como tal).”

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