Talvez o tema seja do domínio da psiquiatria, mas por alguma razão estranha Isabel dos Santos insiste em gastar pequenas fortunas em eventos desnecessários em Londres.

Por Rui Verde (*)

Agora temos a conferência Oil and Money (Petróleo e Dinheiro), que se realiza na capital londrina a 18 e 19 de Outubro, num luxuoso hotel e que é patrocinada pela Sonangol, entre outros. Sonangol, a mesma empresa que não tem dinheiro, que enfrenta dificuldades de crédito, e que teve de vender com prejuízo a sua participação na Galp portuguesa, financia uma conferência em Londres.

Essa conferência reúne vários oradores influentes, desde o ministro da Energia e líder da Aramco na Arábia Saudita, a Bob Dudley da BP ou Watson da Chevron, mais os CEO da ExxonMobil, Conoco, Total, etc. Curiosamente, não surge ninguém de Angola a falar… e também nos patrocínios a Sonangol é acompanhada de outras empresas, passando despercebida. A não ser que Isabel vá receber o Prémio de Executiva do Petróleo do ano 2016, em mais um jantar de gala.

A pergunta é inevitável e pertinente: para quê gastar dinheiro nestes eventos? Ou se está numa fase de reestruturação, ou não. Patrocinar eventos de países ricos é no mínimo discutível, e é sobretudo ridículo e perdulário.

Há alguns meses reportámos que Isabel andava ocupada a pagar uns jantares chiques e a ganhar uns prémios da British Expertise International, empresa privada de consultoria e aconselhamento, especializada em criar redes de negócios, e que organiza finos jantares em Kensington, Londres, pagos a €200,00 por cabeça e regados a champanhe, no decorrer dos quais são entregues prémios distribuídos por 12 categorias. Esta é uma legítima empresa de negócios que cria prémios como exercício de relações públicas, mas não tem o estatuto de qualquer academia ou instituto científico ou técnico.

Entretanto, Isabel comprou para a sua empresa de jóias De Grisogono umas instalações opulentas na Bond Street, a rua mais cara de Londres, tendo ficado a arquitectura de interiores a cargo do David Collins Studio; tudo – aquisição, decoração, abertura – decorreu de forma muito rápida. O jornal inglês The Telegraph comentou: “In typically fast-paced De Grisogono style, the boutique has opened just 12 months after the initial briefing.” (“No habitual ritmo acelerado bem ao estilo De Grisogono, a boutique abriu apenas 12 meses após o briefing inicial.”)

Todos estes eventos servem apenas para sugar dinheiro. Não representam qualquer mais-valia, a não ser umas breves notícias jornalísticas, em que aliás se podem misturar “boas notícias” com danos reputacionais. Na conferência Oil and Money um dos oradores é Igor Sechin. Sechin viu o seu património congelado pelos Estados Unidos e ficou proibido de viajar para aquele país em 2014. Qual a vantagem da Sonangol em se associar a Sechin quando os bancos americanos já estão com relutância em trabalhar com Isabel dos Santos devido às suas ligações perigosas, como se viu com a aparente recusa do Bank of America em participar na venda da participação da Galp.

Qualquer promoção, quer por parte de Isabel dos Santos, quer por parte da Sonangol, seria bem mais útil a apoiar as crianças e os doentes dos subúrbios de Luanda, os esfomeados do Cunene, a construir escolas, a pagar a professores para irem estudar em Londres, e por aí adiante. A filha de JES é presidente da Cruz Vermelha de Angola. Se consultarmos o site desta instituição, verificamos com espanto que a sua única actividade referida é um curso de primeiros-socorros realizado em 2 de Junho de 2012… Há qualquer coisa muito errada nesta estratégia, nesta política.

Isabel dos Santos patrocina o evento do New York Times e da Energy International, a tal conferência Oil and Money em Londres, mas na Cruz Vermelha em Angola nem sequer o Plano Estratégico é desenvolvido desde 2009.

(*) Maka Angola
Foto: Folha 8

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