O Bureau Político do braço-armado do regime, o MPLA, reuniu hoje, em Luanda, na sua 2ª sessão ordinária, sob orientação do seu Presidente, sua majestade José Eduardo dos Santos, tendo analisado assuntos relativos à vida interna do partido e à governação do reino.

Por Norberto Hossi

Ao proceder à análise da vida interna do partido, segundo o documento enviado à sua agência de propaganda, a Angop, a reunião reflectiu sobre questões estratégicas pertinentes, relativas aos grandes desafios que se colocam ao MPLA, com destaque para as próximas eleições gerais, que, de acordo com a Constituição da República de Angola, se realizam em 2017.

Nesta senda, precisa o documento, o Bureau Político do Comité Central exorta os militantes, simpatizantes e amigos do MPLA (ou seja, todos os angolanos) a engajarem-se na implementação das tarefas de preparação do partido, para o asseguramento da vitória no pleito eleitoral, que se avizinha.

“O Bureau Político do Comité Central apreciou os anteprojectos do Plano Geral de actividades do partido para 2017, do plano de eventos centrais do MPLA e do Orçamento Geral do Partido para o mesmo período”, sublinha a nota.

Importa traduzir. O plano de actividades do partido para 2017 é o mesmo do Governo. Ou não fosse o MPLA Angola e Angola o MPLA. Ou não fosse o presidente do MPLA o Titular do Poder Executivo e o Presidente da República.

O documento precisa que o Bureau Político do Comité Central congratula-se com o facto de pelo menos quatro milhões de cidadãos (destes, 3.990 mil são do MPLA) já terem actualizado os seus dados eleitorais e feito a prova de vida, e enalteceu o início do processo de novos registos e a emissão de segunda via do cartão eleitoral.

Neste sentido, a comunicação refere que o Bureau Político do Comité Central apela a todos os cidadãos com capacidade eleitoral, a cumprirem com este dever cívico, adquirindo, assim legitimidade para o exercício do voto em 2017.

Não é que, para o resultado das eleições, seja relevante estar inscrito. O resultado será determinado mesmo antes da votação. A actualização eleitoral sé é importante para, do ponto de vista mediático e de propaganda, fazer passar a imagem de que Angola é aquilo que não é: uma democracia e um Estado de Direito.

O Bureau Político do braço-armado do regime, o MPLA, saúda também o 42º aniversário da chegada a Luanda (8 de Novembro de 1974), da primeira delegação oficial do MPLA conduzida pelo nacionalista Lúcio Lara, então membro do Bureau Político e que integrava todas as componentes do movimento: guerrilheiros, representantes da OMA, da JMPLA, dos pioneiros e da organização sindical.

Registe-se que o MPLA tem razões (que a razão desconhece) para estar satisfeito. Quase todos os dias o partido do regime noticia que militantes da oposição ingressaram no MPLA. E só não anuncia mais vezes porque, de facto, tornava-se festidioso.

Registe-se que, invariavelmente, os ex-militantes dos partidos da oposição  refere que tomaram essa posição de – pudera! – livre vontade. Quando são ex-militantes (segundo o MPLA)  da UNITA acrescentam que mudaram de barricada por considerarem a política desenvolvida pelo Galo Negro como sendo baseada no tribalismo, regionalismo e pela mentira.

“Nós escolhemos a via de ingressar ao MPLA porque estamos cansados com uma política caduca que só professa mentira, tribalismo, regionalismo”. Este é, embora sem grande originalidade, o texto que os novos militantes são convidados a ler.

Por outro lado, os novos militantes que ingressaram no MPLA reafirmaram a sua fidelidade ao partido no poder por considerarem ser uma força política capaz de congregar os angolanos, de Cabinda ao Cunene, e com vocação para materializar os anseios de todos os filhos desta pátria nos próximos 150 anos.

E, como sempre, o soba do MPLA que dá as boas-vindas aos angolanos que assim passam a ser de primeira categoria (julgam eles), felicita-os por terem ingressado no MPLA, salientando que o seu partido continua de braços abertos para receber todos os angolanos que, sob a sua bandeira e em torno do seu querido e divino líder, José Eduardo dos Santos, queiram contribuir para a coesão nacional e na reconstrução do país.

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